- Motta nomeou Guilherme Derrite como relator do PL antifacção, gesto visto no Planalto como ameaça à autonomia da Polícia Federal e à soberania do Brasil; reunião com o ministro Ricardo Lewandowski na terça sinalizou mudanças no relatório.
- O texto atual mantém a autonomia da PF e retira a classificação das facções como grupos terroristas; Motta afirmou que a Câmara não permitirá que a PF perca prerrogativas, e Lewandowski criticou a versão inicial, que exigia comunicações prévias com autoridades estaduais.
- Derrite apresentou nova versão do relatório após a reunião, visando consenso; votação pode ocorrer ainda nesta quarta-feira, ainda que a maioria dos parlamentares estivesse fora de Brasília pela COP Trinta.
- A nomeação de Derrite é vista como derrota política para o governo, por alinhamento à direita e ligações com o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas; aliados de Lula reagiram negativamente, e Gleisi Hoffmann chamou a escolha de contaminada por questões políticas.
- Crise ocorre em meio a avaliação negativa de segurança pública: estudo aponta quarenta e cinco vírgula oito por cento dos brasileiros favorecendo piora; 15 por cento dos municípios registraram conflitos entre facções em dois mil e vinte e três, apontando desafio para a continuidade da agenda de segurança.
A tensão entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara, Hugo Motta, se intensificou com a nomeação de Guilherme Derrite como relator do projeto de lei antifacção. A escolha gerou descontentamento no Palácio do Planalto, que considera a medida uma ameaça à autonomia da Polícia Federal (PF) e à soberania do Brasil. Na última terça-feira, Motta se reuniu com o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e sinalizou mudanças no relatório de Derrite, que deverá ser votado ainda hoje.
A pressão do governo resultou em alterações significativas no texto, que agora mantém a autonomia da PF e retira a classificação das facções como grupos terroristas. Motta afirmou que a Câmara não permitirá que a PF perca suas prerrogativas, ressaltando que a segurança pública deve ser uma pauta suprapartidária. O ministro Lewandowski também criticou a proposta inicial, que condicionava a atuação da PF a comunicações prévias com autoridades estaduais.
Mudanças no Relatório
Após a reunião, Derrite apresentou uma nova versão de seu relatório, que visa atender às demandas do governo, buscando um consenso entre os líderes da Câmara. O presidente da Câmara indicou que a votação poderia ocorrer ainda nesta quarta-feira, apesar da maioria dos parlamentares estar fora de Brasília devido à Conferência do Clima de Belém, a COP 30.
A escolha de Derrite como relator foi interpretada como uma derrota política para o governo, especialmente porque ele é visto como alinhado à direita e próximo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. A decisão provocou reações negativas entre os aliados de Lula, que consideram a indicação uma provocação. A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, expressou que a escolha de Derrite está contaminada por questões políticas.
Críticas e Desdobramentos
A crise em torno do projeto antifacção ocorre em um contexto de avaliação negativa do governo na área de segurança pública. Um levantamento recente indicou que 45,8% dos brasileiros acreditam que a segurança piorou sob a atual gestão. Especialistas alertam que o controle das facções criminosas se expandiu pelo país, com 15% dos municípios relatando conflitos entre grupos em 2023.
A situação exige atenção do governo, que enfrenta um desafio significativo para melhorar a percepção da segurança pública entre a população. O desfecho da votação do projeto antifacção poderá impactar não apenas a relação entre o governo e o Legislativo, mas também a estratégia política para os próximos anos.
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