- Relatório da organização de artes Queercircle usa depoimentos anônimos de 44 trabalhadores das artes na Inglaterra para discutir limitação da liberdade de expressão em função de escrutínio político, financiamento e diretrizes de 2024.
- Constata que apoio a Palestina e direitos de pessoas trans são mais restringidos, enquanto outros temas recebem abordagens mais permissivas.
- Cerca de 72% dos entrevistados apontam aplicação irregular de princípios de expressão, variando conforme o tema abordado.
- Mais da metade (55%) diz que as diretrizes impactaram suas organizações; exemplos incluem instituições evitando declarações ou solidariedade artística.
- O relatório recomenda proteção jurídica mais robusta, políticas institucionais claras, ação coletiva em defesa da liberdade artística e reforma no processo de denúncias da Charity Commission.
O relatório “Lets Create Change: Artistic Freedom in a Time of Genocide and Rising Fascism” mostra que a liberdade de expressão no setor cultural da Inglaterra está sendo restringida por maior escrutínio político, diretivos cautelosos de a biostrustees e uso de financiamento como instrumento de controle. O estudo utiliza depoimentos anônimos de 44 trabalhadores das artes no país. O documento aponta que expressões de solidariedade à Palestina e apoio aos direitos das pessoas trans sofrem maior margem de restrição, enquanto outros temas recebem tratamento mais permissivo.
Segundo o material, 72% dos casos revelam inconsistência na aplicação de princípios de expressão, dependendo do tema. Houve relatos de organizações que atuaram com declarações públicas contra racismo ou sobre a invasão da Ucrânia, mas evitaram comentar o conflito Israel-Palestina por temor de “tomar partido”. As diretrizes de acervo político da Arts Council England (ACE), divulgadas em janeiro de 2024, são citadas como fator adicional de receio entre instituições.
Contexto institucional e impactos
Mais da metade dos respondentes — 55% — afirmam que as orientações impactaram suas organizações. Um freelancer descreveu espaços sob financiamento da ACE como excessivamente avessos a permitir declarações ou solidariedade por parte dos artistas. A reportagem destaca avisos diretos a criadores para não supor que todos compartilham de determinada visão, o que seria considerado censura velada, segundo relatos.
Outros relatos indicam interferência na programação: conselhos de instituições sugerem que obras com visões sobre Palestina seriam controversas e deveriam ficar restritas a eventos fechados para amigos. O estudo argumenta que pressões políticas são estruturais no setor cultural britânico, refletindo o recuo cívico mais amplo. Técnicos defendem maior proteção legal, políticas institucionais claras e reforma de canais de reclamação da Charity Commission para evitar que denúnias infundadas atinjam organizações.
Reação institucional
A ACE informou que apoia a expressão artística e o direito de artistas de produzir trabalhos desafiadores e políticos. A agência afirmou ter atualizado suas diretrizes diante de preocupações sobre o impacto na liberdade de expressão. A depender dos relatos, a influência de diretrizes e de pressões administrativas permanece como tema central para o setor, com apelo por mudanças estruturais.
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