- O cientista político Felipe Nunes lança o livro Brasil no Espelho, com base em quase dez mil entrevistas, encomendado pela TV Globo.
- O estudo aponta que, em média, os valores dos brasileiros hoje são parecidos com os de 1997 e que o sentimento de insegurança pode influenciar a eleição de 2026.
- Segundo Nunes, o Brasil é majoritariamente conservador, mas a esquerda abriga parcela conservadora; a sociedade é paradoxal e não é estritamente binária.
- A disputa de 2026 tende a ficar entre dois blocos: liberais sociais/empreendedores individuais contra conservadores cristãos, setor do agro e defesa da direita; a segurança é tema central.
- O livro discute mudanças na visão de trabalho e políticas universais, destacando o papel da percepção de cansaço e a busca por participação nos benefícios do Estado.
Felipe Nunes lança nesta terça o livro Brasil no Espelho, apresentado pela Quaest a pedido da TV Globo. A obra analisa o eleitorado brasileiro a partir de quase 10 mil entrevistas em 340 municípios, buscando compreender padrões de comportamento e percepção de segurança.
Segundo o estudo, o Brasil atual pensa, em média, como em 1997. O País é visto como centro-direita, mas com uma posição ideológica não linear: quase metade da esquerda é conservadora. O medo e a insegurança aparecem como elementos centrais da avaliação sobre o cenário político.
O pesquisador afirma que a visão de mundo pode influenciar a disputa de 2026. Ao jornal Estádio, ele sustenta que quem disputar a Presidência precisa criar sensação de segurança para vencer, ou estimular ainda mais o medo para justificar mudanças.
O que o estudo revela sobre o eleitor de 2026
- A coalizão de Lula tende a reunir militantes de esquerda, classes D e E e progressistas. Do outro lado, conservadores cristãos, empresários, elite do agro e parte da direita organizam oposição.
- Existem dois tipos de eleitores em disputa: liberal social, ligado a antigos tucanos, e empreendedor individual, vindo principalmente das camadas mais pobres, que se vêem como parte da classe média.
Perfis dos eleitores
Liberais sociais devem parcelas históricas da economia com gestão pública social-democrata. Empreendedores individuais são trabalhadores de plataformas ou atividades independentes, com busca por flexibilidade e menos dependência do Estado.
Segurança como eixo central da campanha
A percepção de segurança é apontada como principio norteador da eleição de 2026. A obra destaca que o Congresso mantém propostas punitivas duras para crimes violentos, sem apoiar a autorregulação armada. Dilma e Lula aparecem como símbolos de orçamento público e controle da violência.
Desafios e mudanças de visão no uso de políticas públicas
O estudo aponta mudança na forma de enxergar benefícios sociais: políticas universalistas ganham repercussão, com a ideia de que direitos devem permear toda a população, não apenas beneficiar os mais pobres. A percepção de que programas sociais podem reduzir a produtividade também surge como elemento a ser considerado no debate.
Gerações e futuro político
A distância entre gerações fica evidente: a Geração Bossa Nova é mais conservadora; a Geração.Com tende a valorizar consenso e diversidade. O autor sugere que um Brasil mais liberal e tolerante pode emergir, se as tendências atuais se mantiverem.
Extrema direita e discurso político
Nunes afirma que a extrema direita é menos expressiva do que parece ser, apesar de alto impacto midiático. Ele ressalta a distinção entre conservadores religiosos, setores do agro e empresários, que não devem ser classificados de modo genérico como extrema direita.
O que pode mudar em 2026
Se houver a ausência de um Bolsonaro como elemento mobilizador, a eficácia da fórmula de 2022 pode diminuir. O autor sinaliza a necessidade de agendas que reduzam o cansaço no trabalho e ampliem a sensação de renda digna, conectando o tema ao equilíbrio entre Estado e mercado.
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