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Moraes apresenta argumentos para prender desembargador do TRF-2

Moraes aponta fortes indícios de obstrução de investigações após prisão de desembargador no Rio ligado ao crime organizado

O ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF
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  • O ministro Alexandre de Moraes apontou fortes indícios de ações coordenadas para obstruir investigações envolvendo autoridades e o crime organizado no Rio de Janeiro, ao autorizar a prisão do desembargador Macário Júdice Neto.
  • Macário era relator de processos relacionados ao ex-deputado TH Joias, preso por suspeita de usar o mandato para favorecer o Comando Vermelho, e foi transferido para penitenciária federal.
  • A prisão ocorreu na Operação Unha e Carne 2, que investiga atuação de agentes públicos no vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais; na primeira fase, houve a prisão do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que foi solto e monitora com tornozeleira.
  • Traços dos diálogos entre Macário e Bacellar, incluindo um jantar em que o deputado ligou para TH Joias para avisá-lo sobre a Operação Zargun, embasaram a investigação; mensagens mostram proximidade e lealdade entre eles.
  • Moraes afirmou haver robustos indícios de conduta delitiva de Macário, incluindo proteção a membros da organização criminosa e obstrução das investigações, com possível participação de funcionário público; a defesa contesta a decisão.

O ministro Alexandre de Moraes, do STF, apontou fortes indícios de ações coordenadas para obstruir investigações ligadas a organizações criminosas no Rio de Janeiro. Com isso, determinou a prisão do desembargador Macário Júdice Neto, do TRF da 2ª Região. Macário era relator de processos envolvendo o ex-deputado TH Joias, preso por suspeita de favorecer o Comando Vermelho. A prisão ocorreu durante a Operação Unha e Carne 2, deflagrada para investigar vazamento de informações sigilosas sobre operações policiais.

A ação mira a atuação de agentes públicos na divulgação de dados sigilosos. Na primeira fase, a PF prendeu o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, que ficou em liberdade após votação da Assembleia. Bacellar segue monitorado por tornozeleira eletrônica e também foi alvo da operação desta terça.

Mensagens obtidas pela PF indicam que Macário presidia um jantar com Bacellar quando o deputado ligou para TH Joias alertando sobre a Operação Zargun. Trechos de conversas reforçam a impressão de proximidade entre os dois envolvidos.

Detalhes da investigação

Trechos das mensagens mostram que os interlocutores se referem a si mesmos como irmãos e discutem questões pessoais. Há relatos de pedidos de favores e desavenças entre eles. Em uma mensagem, Macário solicita ingressos para um jogo do Flamengo; Bacellar responde com uma promessa de facilitar a entrada.

Outras trocas indicam afeto e lealdade entre magistrado e político, com expressões como você é irmão de vida e te amo. Investigadores entendem que o tom das conversas sinaliza confiança mútua e cooperação entre os dois.

Aspectos jurídicos e defesa

A decisão de Moraes aponta que o relacionamento entre Macário e Bacellar pode impactar as investigações contra organizações criminosas e aponta possível obstrução de justiça. Os crimes citados incluem organização criminosa armada com participação de funcionário público e violação de sigilo.

A defesa do desembargador afirma que Moraes foi levado ao erro ao decretar a prisão e que não houve cópia integral da decisão, o que dificulta o contraditório. A defesa informou que apresentará esclarecimentos e pedirá a soltura imediata.

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