- Moraes afirma não ter conversado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a compra do Banco Master pelo BRB, e nega reuniões ou pressão nesse tema.
- Em nota, o ministro diz ter se reunido apenas com o objetivo de discutir as implicações da Lei Magnitsky, não havendo ligação entre Moraes e Galípolo sobre o negócio Master-BRB.
- O Banco Central confirmou que houve reuniões com Moraes para tratar dos efeitos da Lei Magnitsky, e autoridades não aprovam a venda por inviabilidade econômico-financeira.
- Reportagem da coluna citou que Moraes teria buscado Galípolo ao menos quatro vezes para tratar do Master, mas a nota oficial contesta as acusações.
- Sobre o caso Master, o banco foi liquidado pelo BC em novembro; investigações acompanham irregularidades contábeis e operações com ativos vinculados à instituição.
Moraes afirma não ter conversado com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, sobre a compra do Banco Master pelo BRB. A nota foi divulgada nesta terça (23), após relatos de encontros e ligações entre o ministro e Galípolo.
Segundo o ministro, em nenhuma reunião houve tratamento de qualquer assunto relacionado à aquisição. Ele diz ter apenas discutido os efeitos da Lei Magnitsky em encontros com autoridades do Banco Central e de outros bancos.
A nota acrescenta que Moraes realizou duas reuniões em seu gabinete com o foco em impactos da Lei Magnitsky, uma em 14 de agosto e outra em 30 de setembro, após sanções a ele e à sua esposa. Diz ainda que não houve ligação entre as partes sobre o tema Master-BRB.
O Ministério afirma que Moraes nunca esteve no Banco Central e que não há relação entre o escritório de advocacia da esposa e a operação de aquisição. A defesa sustenta que as reuniões trataram de consequências da lei, não de negócios.
Fontes associadas à cobertura indicam que, segundo a coluna de Malu Gaspar, Moraes teria procurado Galípolo para pedir informações sobre a avaliação do BC a respeito da venda. A reportagem afirma que o BC barrou a operação em setembro por não haver viabilidade econômico-financeira.
A leitura é de que contatos teriam ocorrido à margem de um contrato do escritório da esposa do ministro, Viviane Barci de Moraes, com o Banco Master. O texto de Moraes deixa claro que as reuniões tinham natureza técnica sobre Magnitsky, não operacional sobre o negócio.
O BC confirmou, após a nota, que manteve reuniões com Moraes para tratar dos efeitos da Lei Magnitsky. A norma norte-americana prevê sanções a autoridades estrangeiras e bloqueio de ativos ligados a elas.
Caso Master
O Master, fundado em 1974 como Máxima Corretora de Valores, passou por várias reorganizações. Em 2019 Daniel Vorcaro passou a controlar a instituição, adotando estratégia de crescimento acelerado, com captação elevada e investimentos de maior risco.
A partir de 2022, sinais de fragilidade começaram a aparecer, com captações a custos elevados e ativos de risco maior. Investidores passaram a questionar a sustentabilidade do modelo de negócios a longo prazo.
O banco oferecia CDBs com remunerações de até 140% do CDI, indicador de risco elevado. Investigações apontam que parte do dinheiro captado foi usado para cobrir déficits operacionais e antigos compromissos, exigindo entrada constante de novos recursos.
Em 2023 e 2024 foram discutidas negociações para vender 58% do Master ao BRB, em cerca de 2 bilhões de reais. Órgãos de controle passaram a levantar questões sobre transparência e riscos para acionistas do BRB.
Paralelamente, a Polícia Federal iniciou apurações sobre o Master em 2024, detectando possível emissão de CDBs sem lastro suficiente e operações com créditos de baixa qualidade usados para ocultar a real situação financeira. O BC decretou a liquidação extrajudicial do Master em novembro.
O processo também envolve o bloqueio de bens de controladores e ex-executivos, com investigações em andamento para apurar responsabilidades civis e criminais. O FGC foi acionado para indenizar correntistas e investidores até o limite legal.
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