- O governo da Indonésia anunciou uma auditoria ambiental ampla, baseada em ciência, para revisar governança ambiental, zoneamento e responsabilização de empresas após inundações e deslizamentos que deixaram mais de 1.100 mortos em Sumatra.
- A intervenção ocorre em três frentes: avaliação rápida de impactos para relocação e planejamento de moradias, revisão de planos de zoneamento provinciais e auditoria ambiental de mais de cem empresas dos setores de mineração, energia, plantações e habitação.
- As ações, anunciadas em dezo de dezembro de 2025 pelo ministro do Meio Ambiente, Hanif Faisol Nurofiq, associam mudanças no uso da terra à gravidade dos desastres, indo além das chuvas extremas.
- Auditorias já começaram no Sumatra do Norte, onde oito empresas na região do ecossistema Batang Toru foram obrigadas a interromper operações enquanto o governo investiga.
- O processo pode durar até um ano, com conclusão de casos-chave até março, buscando ações criminais, civis ou sanções administrativas; todas as empresas podem ser responsabilizadas, independentemente de licenças.
O governo da Indonésia anunciou uma auditoria ambiental ampla, baseada em ciência, para reavaliar governança, zoneamento e responsabilidade corporativa após enchentes e deslizamentos em Sumatra que deixaram mais de 1.100 mortos. A medida envolve Aceh, Sumatra do Norte e Sumatra Ocidental.
Especialistas atribuem a tragédia a mudanças no uso do solo, como desmatamento e visão de conversão de florestas, que reduziram barreiras naturais diante de chuvas extremas associadas ao ciclone Senyar. O governo reconhece que fatores humanos amplificam os impactos.
A iniciativa foi anunciada em 23 de dezembro de 2025 pelo ministro do Meio Ambiente, Hanif Faisol Nurofiq, e divide-se em três frentes de ação, com previsão de conclusão inicial em janeiro de 2026.
Três frentes de intervenção
A primeira consiste em uma avaliação rápida dos impactos para orientar realocação, recuperação e planejamento de assentamentos, com conclusão prevista para janeiro de 2026. A ideia é localizar moradias permanentes longe de áreas de risco.
A segunda frente revisa planos de zoneamento provinciais, confrontando documentos aprovados com avaliações ambientais e condições reais. O objetivo é verificar conformidade com o marco KLHS e a eficácia prática das normas vigentes.
A terceira medida envolve uma auditoria ambiental em mais de 100 empresas de setores como mineração, energia, áreas de cultivo e moradia. O objetivo é entender o que ocorreu durante os desastres e o que poderia ter sido evitado.
A auditoria começou em Sumatra do Norte, onde oito empresas em torno do ecossistema de Batang Toru foram interditadas temporariamente. O Batang Toru abriga espécies ameaçadas, incluindo o orangotango de Tapanuli.
Entre as empresas sob escrutínio estão PT Toba Pulp Lestari, PT North Sumatra Hydro Energy e PT Agincourt Resources. O governo estima que o processo completo pode durar até um ano, com decisões sobre casos relevantes até março.
As ações devem alcançar todas as empresas, sem exceções, e não considerar licenciamento como garantia de defesa, segundo o ministro Hanif. O cumprimento das normas ambientais continuará sendo exigido.
Acionamento técnico e institucional
O Ministério do Meio Ambiente coordena as ações com o Ministério da Educação Superior, Ciência e Tecnologia e pesquisadores de universidades nacionais. Todo o trabalho deverá se basear em evidências verificáveis.
Como parte da operação, o governo mobilizará grande contingente de especialistas acadêmicos, com proteção legal prevista para trabalhadores da ciência envolvidos em estudos jurídicos. A medida busca transparência na apuração.
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