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Trump ataca o Smithsonian: objetivo é reconfigurar toda a cultura dos EUA

Trump avança contra o Smithsonian com ordens e pressão política, colocando em risco autonomia institucional e o debate sobre a história americana

A portrait of Donald Trump at the National Portrait Gallery, Washington DC. Photograph: Pete Kiehart/The Guardian
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  • Em 30 de maio, o presidente Donald Trump afirmou no Truth Social ter demitido Kim Sajet, diretora da National Portrait Gallery, por ser partidária e defensoras de diversidade e inclusão, diante de uma mudança de governo. Sajet manteve o cargo após consulta ao secretario da Smithsonian.
  • O conselho de regentes da Smithsonian manteve a autonomia, dizendo que decisões de contratação e demissão são de responsabilidade da instituição, não do presidente. Sajet deixou o posto de fato, mas permaneceu trabalhando até junho.
  • Em março, foi publicado um decreto executivo para restaurar “verdade e sanidade” à história americana, sinalizando a tentativa de revisar conteúdos e instituições culturais, como forma de promover uma visão nacionalista.
  • Nos meses seguintes, o governo pressionou as instituições para revisar conteúdos, com pedidos de informações detalhadas sobre exposições, textos e budgets, sob a alegação de promover “Americanismo” e dissociar conteúdos considerados divisivos.
  • Relatos de receios de autocensura e de cortes de financiamento sugerem um ambiente de pressão política nas grandes instituições culturais, com relatos de mudanças em rótulos, textos e curadoria para evitar críticas ao governo.

O ataque de Donald Trump à Smithsonian ganhou proporções de disputa cultural. Em sua segunda gestão, ele abriu fogo contra o que chama de “woke” nas instituições culturais, mirando o National Portrait Gallery, ligado à Smithsonian, a poucos quarteirões da Casa Branca. A intervenção envolve decisões de pessoal, discursos públicos e pressões para mudanças de conteúdo.

Em 30 de maio, Kim Sajet, diretora da National Portrait Gallery, soube do ataque nas redes sociais do presidente. Trump alegou ter encerrado o emprego da diretora por ser partidária e defensora de diversidade. A mensagem indicava que uma nova liderança seria nomeada. Sajet relatou o susto e a pressão inicial, mas manteve o foco no trabalho cotidiano.

O episódio acelerou em 2 de junho, quando houve reunião emergencial do conselho de regentes da Smithsonian. O órgão reiterou que decisões de contratação e demissão são de responsabilidade da instituição, sob supervisão do secretário Lonnie Bunch III. Em 9 de junho, houve nova reunião, com compromisso de manter autonomia, apesar da pressão externa.

Mudanças e pressões

A narrativa ganhou contornos mais amplos com ações oficiais de 27 de março, quando um decreto alegou influência de uma ideologia divisiva na Smithsonian. Atribuiu-se a remoção de conteúdos considerados inadequados à gestão de Lindsey Halligan, assessora de Trump, e a JD Vance, vice-presidente. O documento ficou conhecido como Restoring Truth and Sanity to American History.

A partir de agosto, o governo midiatizou a questão, apresentando textos e exposições vistos como problemáticos. Em dezembro, o secretário Bunch recebeu uma nova carta que reforçava a necessidade de alinhamento com a ordem executiva, sob pena de cortes de recursos. Bunch manteve posição de defesa da autonomia institucional.

A tensão envolve ainda o orçamento: a Smithsonian já se prepara para um impacto de cerca de 131 milhões de dólares em 2026. Observadores indicam que, além de financiamento, a pressão pode favorecer políticas de autocensura em museus privados, que dependem de doações e de uma gestão menos dependente do governo.

Cenário atual

O contraste entre a visão de Trump e o papel institucional da Smithsonian ilustra uma polarização sobre como a história é contada. Enquanto a administração enfatiza uma narrativa nacionalista, medidas internas têm buscado preservar a integridade e a diversidade de acervos. A pressão sobre a direção do museu permanece em aberto.

O episódio também envolve outras instituições, como o Kennedy Center, alvo de ações para alterar o que é apresentado ao público. A discussão pública sobre representatividade, memória e curadoria segue reverberando em Washington e no debate nacional sobre o papel das artes na democracia.

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