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Centrão indica maioria de ministros do TCU para julgar atuação do BC

Plenário do TCU, dominante por indicados do Centrão, retoma julgamento sobre atuação do BC no caso Master, após acordo que mantém a inspeção

Jhonatan de Jesus, ex-deputado e ministro do TCU, em foto de 2023. (Foto: MyKe Sena/Câmara dos Deputados)
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  • O TCU transferiu para o plenário a definição sobre o caso Master, em meio a desgaste entre o tribunal e o Banco Central, com maioria de ministros indicados pelo Centrão.
  • Um acordo entre as partes definiu a retirada de recursos pelo BC e o início da inspeção, com prazo de um mês, além de delimitar que apenas o STF poderia reverter a liquidação em caso de fraudes.
  • O presidente do TCU é Vital do Rêgo; o vice-presidente é Jorge Oliveira; o colegiado inclui ministros com histórico político, ex‑deputados e integrantes de carreira, como Zymler e Rodrigues.
  • O BC contestava decisão monocrática que autorizava inspeções; a solução negociada manteve a inspeção, evitando confronto direto no plenário.
  • Especialistas veem o entorno político do TCU como fator de instabilidade, destacando a influência de acordos e pressões sobre decisões técnicas.

O Tribunal de Contas da União (TCU) e o Banco Central (BC) sinalizaram, após semanas de atrito sobre a liquidação extrajudicial do Banco Master, que o caso será julgado no plenário. A composição indica maioria de ministros indicados por partidos do Centrão.

O plenário, formado majoritariamente por ex-políticos, reúne nomes com vínculos institucionais diversos. Vital do Rêgo preside a corte; Jorge Oliveira é o vice. Jhonatan de Jesus, alvo de investigações, integra o grupo, assim como Aroldo Cedraz, Augusto Nardes, Antonio Anastasia, Bruno Dantas, Benjamin Zymler e Walton Alencar Rodrigues. A configuração é resultado de indicações do Congresso e da Presidência.

O episódio envolve ainda a tensão entre controle externo e regulação financeira. O impasse ganhou contornos institucionais após a reunião entre Vital do Rêgo e Gabriel Galípolo, do BC, que resultou na retirada de recurso e no início de uma inspeção pelo TCU. O objetivo é definir alcance formal da atuação e prazos da auditoria.

Mudança de tema: composição e influência política

Especialistas destacam que o TCU funciona como órgão auxiliar do Legislativo, o que explica o peso político na atuação. O cientista político Elton Gomes ressalta que acordos entre poderes moldam as decisões, ainda que haja técnica de controle envolvida.

Wittemberg, professor do Ibmec-DF, aponta uma zona cinzenta entre controle e regulação. Para ele, disputas assim afetam previsibilidade institucional e a percepção de risco para investidores, além de desgastar a imagem técnica do TCU.

Desfecho institucional e próximos passos

O acordo entre as partes evita um confronto direto entre BC e TCU no plenário. A definição sobre o alcance da inspeção ficará sob apreciação formal, com prazo de um mês, e a posição do TCU sobre limites de atuação regulatória. Segundo o TCU, o BC retirou embargos de declaração, mantendo autorizado o andamento da auditoria.

Observadores indicam que, ao fim das apurações, o tribunal pode apontar falhas formais e manter a atuação sobre o caso Master. A decisão final sobre eventuais reversões na liquidação permanece, até o momento, sob avaliação do STF, caso haja necessidade.

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