- Até 1807, quando a Inglaterra aboliu o comércio de escravos no império, a coroa britânica tornou-se a maior compradora de pessoas escravizadas, adquirindo 13 mil homens para o exército por £900 mil.
- Após a abolição, africanos libertados a bordo de navios de escravos patrulhados pela Marinha real eram forçados à aprendizagem de ofícios ou recrutados para o serviço militar.
- A pesquisa afirma que a coroa e a Marinha protegeram, expandiram e financiaram o tráfico transatlântico de escravos por séculos, vinculando o envolvimento da monarquia ao comércio.
- A autora Brooke Newman aponta que houve correspondência secreta mostrando temores da monarquia, sob George IV, de revoltas semelhantes à Revolução Haitiana na Jamaica.
- Em relativo ao período, pessoas escravizadas na Jamaica e em outras possessões britânicas podiam ser compradas em nome do rei para trabalhar em estaleiros navais e instalações reais, com o comércio influente até 1831.
O livro The Crown’s Silence revela que a coroa britânica e a marinha desempenharam papel central na expansão e proteção do comércio de pessoas escravizadas por séculos. A pesquisa aponta que, até 1807, quando o Reino Unido aboliu o tráfico no império, a coroa tornou-se o maior comprador de cativos, adquirindo 13 mil homens para o exército por cerca de £900 mil.
A autora, a historiadora Brooke Newman, pesquisou arquivos reais, comandos da marinha, a Royal African Company e a South Sea Company para sustentar as conclusões. O estudo disciplinas mudanças ocorridas entre cartório, palácio e navios de guerra ao longo dos séculos.
Newman começou o trabalho há cerca de uma década, ao investigar cartas secretas que revelariam temores de motins semelhantes à Revolução Haitiana em Jamaica. A pesquisadora é professora associada na Virginia Commonwealth University, nos Estados Unidos, e acessou correspondências que ligam a coroa ao comércio transatlântico de escravos.
Descobertas centrais
O texto aponta que, mesmo quando George IV supervisionava a repressão ao tráfico, a coroa ainda lucrava com o trabalho de pessoas escravizadas. Relatos históricos indicam que trabalhadores escravizados no Caribe eram usados para atividades ligadas a instalações reais e estaleiros, em um modelo que começou em Jamaica durante o período de George II.
A obra detalha ainda que, após a abolição, africanos libertos de navios de traficantes, interceptados pela Marinha, eram forçados a cumprir programas de aprendizagem ou recrutados para serviços militares britânicos. O tema envolve a continuidade de práticas associadas ao aparato imperial.
O livro sustenta que o tráfico se expandiu no século XVIII, impulsionado pela perda do monopólio da Royal African Company e pela ascensão de cidades portuárias como Liverpool e Bristol. A marinha imperial teria ajudado a sustentar o comércio de escravos ao longo de várias dinastias.
Newman ressalta que, a partir do século XVIII, a monarquia David não precisava atuar apenas nos bastidores, passando a defender o império em conflitos como a Guerra dos Sete Anos e a Revolução Americana. Mesmo após a abolição, a prática de envolvimento com trabalhadores escravizados persistiu de várias formas.
The Crown’s Silence: The Hidden History of Slavery and the British Monarchy tem lançamento pela HarperCollins em 26 de janeiro. A editora também relaciona a temporária ligação entre a coroa e a escravidão aos nervos políticos e à imagem pública da monarquia.
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