- A Quaest mostrou, em janeiro de 2026, que 39% dos brasileiros se informam sobre política pelas redes sociais, ante 34% pela TV.
- Em dezembro anterior, TV e redes estavam empatadas em 35% cada; a TV liderava historicamente a série, iniciada em maio de 2024.
- O resultado sugere uma inflexão, mas ainda não está claro se é apenas flutuação ou um novo padrão no consumo de informação.
- Em relação à percepção sobre o governo Lula, houve maioria de avaliações negativas, com variação conforme o recorte ideológico.
- Entre os grupos, bolsonaristas e a chamada “direita não bolsonarista” veem maior parcela de notícias negativas; independentes apresentam equilíbrio mais próximo entre positiva e negativa.
A Quaest divulgou em janeiro de 2026 dados que sinalizam uma mudança relevante nos hábitos de consumo de informação política entre os brasileiros. Entre dezembro e novembro, a proporção de quem prefere a TV caiu, enquanto o uso de redes sociais aumentou. A comparação aponta 39% buscando notícias em redes, contra 34% pela TV.
Em contrapartida, a TV ainda liderava a série iniciada em maio de 2024, quando a informação pela televisão era o caminho de maior parte dos entrevistados. A nova leitura difere dos padrões anteriores, abrindo a questão se é uma inflexão temporária ou um novo patamar de comportamento.
O levantamento mostra que, para entender o cenário político, é essencial observar o ambiente de comunicação em ano eleitoral. As forças políticas buscam adaptar estratégias às linguagens digitais, sem abandonar a massa de leitores que ainda utiliza meios tradicionais.
Percepção ideológica
Para a forma como as notícias sobre o governo Lula são recebidas, houve consenso entre Lulaistas e Esquerda não lulista em apontar mais reportagens positivas. Entre independentes, a percepção tende a ver mais notícias negativas do governo.
Entre bolsonaristas, a avaliação negativa é ainda mais expressiva, com 76% apontando conteúdos desfavoráveis. Esse viés de verificação reforça o papel das preferências ideológicas na interpretação das informações.
Mapa do consumo da informação política
Ao consolidar dados de TV tradicional e canais digitais, o campo da direita aparece mais presente no espectro digital, enquanto os Lulaistas ocupam o topo com maior propensão à TV. Entre independentes e centro, há oscilação entre hábitos tradicionais e digitais.
Os dados sugerem que o Brasil vive uma transição tecnológica na comunicação política. Embora o uso de redes sociais seja uma tendência consolidada, a educação de campanhas permanece dependente de um modelo híbrido entre analógico e digital.
Implicações para a comunicação eleitoral
A hipersegmentação digital não garante resultados; ela funciona melhor com grupos já alinhados ideologicamente. Será necessário ampliar a presença em múltiplos canais para alcançar eleitores com diferentes graus de embedment ideológico e de adoção tecnológica.
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