- A acareação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, ocorreu no fim de dezembro por ordem do ministro Dias Toffoli, para apurar a origem das carteiras de crédito vendidas pelo Master ao BRB.
- Vorcaro afirmou não saber, à época, que as carteiras eram da Tirreno — empresa recém-criada — cuja operação envolvia terceiros; disse que houve conversas sobre um formato de venda com originadores terceiros.
- Costa disse acreditar que as carteiras eram originadas pelo Master e vendidas a terceiros, passando a questionar os originadores específicos apenas depois; informou ter recebido, em maio, a informação de que eram créditos originados pela Tirreno.
- O contrato entre Master e Tirreno, assinado em dezembro de 2024, regulava a compra de operações de crédito consignado e previa responsabilidades, auditorias e a possibilidade de correção ou recompra de créditos que não estivessem em conformidade.
- Em 18 de novembro deste ano, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master e da corretora de câmbio, inviabilizando o processo de venda da instituição.
O empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, apresentaram versões divergentes em acareação conduzida pela Polícia Federal. A oitiva ocorreu no fim de dezembro, por ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal.
Vorcaro afirmou desconhecer a participação da Tirreno nas negociações das carteiras vendidas ao BRB. Segundo ele, não havia registro de movimentação de dinheiro pela Tirreno, apenas de terceiros, e o Master teria negociado por meio de um formato de originadores terceiros.
Paulo Henrique Costa disse acreditar que as carteiras eram originadas pelo Master e vendidas a terceiros. Não reconheceu a participação direta da Tirreno, mas afirmou que, após verificação, as operações tinham origem na Tirreno. O ex-presidente detalhou dúvidas sobre os originadores específicos.
A acareação foi determinada por Toffoli, relator do inquérito que investiga supostos crimes envolvendo o setor financeiro. O foco é um suposto esquema de fraudes com carteiras de crédito vendidas entre instituições.
As investigações apontam para a fabricação de carteiras de crédito insubsistentes, que eram substituídas por ativos sem avaliação adequada após trâmites entre bancos e o BC. O BC já decretou a liquidação extrajudicial do Master e da corretora de câmbio.
Em outubro, o Banco Central havia autorizado a liquidação do Master, anunciada na véspera, inviabilizando a continuidade de operações de venda da instituição. Os próximos passos da apuração devem esclarecer a origem das carteiras e os responsáveis.
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