- Um membro da família real dos Emirados investiu 500 milhões de dólares na World Liberty Financial, empresa de criptomoedas da família Trump, pouco antes da posse do presidente.
- O investidor é Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, atualmente conselheiro de segurança nacional e presidente do fundo soberano dos Emirados.
- Analistas de ética pública dizem que o negócio configura conflito de interesse grave e pedem investigação Congressual.
- Segundos após o acordo, o governo permitiu que os Emirados importassem 500 mil chips de IA da Nvidia, o que suscitou preocupações sobre eventual acesso da China à tecnologia.
- A Casa Branca afirmou que Trump não administra os negócios e que as operações ficaram sob os filhos; críticos entendem que a relação pode influenciar decisões de governo.
Donald Trump é alvo de críticas após revelar-se que um membro da família real dos Emirados Árabes Unidos apoiou um investimento de 500 milhões de dólares na empresa de criptomoedas da família Trump. A operação, fechada poucos dias antes da posse, é apontada por especialistas em ética como conflito de interesse para a Casa Branca. No fim de maio, o governo dos EUA autorizou a importação de 500 mil chips de IA da Nvidia pelo UAE, reacendendo dúvidas sobre ligações entre interesses estrangeiros e decisões estratégicas norte-americanas.
A operação foi anunciada quatro dias antes da posse, quando emisários de Tahnoon bin Zayed Al Nahyan concordaram em adquirir 49% da World Liberty Financial, empresa de criptomoedas cocontrolada pela família Trump, por 500 milhões de dólares, segundo o Wall Street Journal. Documentos indicam que o desembolso inicial incluiu 187 milhões de dólares a entidades ligadas ao Trump e 31 milhões a Witkoff, cofundador da World Liberty, com recursos da Aryam Investment, empresa apoiada pelo emir.
A Casa Branca sustenta que o presidente não participa da gestão dos negócios familiares e que repassou o controle aos filhos. Criticadas por ética, autoridades afirmam que a relação com um investidor estrangeiro de alto alcance, associado a um cargo junto ao governo, configura risco de conflito institucional. Analistas ressaltam que a estrutura empresarial de Trump, com atuação em setores diversos, amplia a complexidade do controle de interesses.
Envolvidos e contexto
O investidor citado é Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, figura próxima ao governo dos Emirados e presidente do fundo de riqueza de 1,5 trilhão de dólares. O acordo envolve a participação de 49% na World Liberty Financial, ligada à plataforma de criptomoedas controlada pela família Trump.
Repercussões e desdobramentos
Especialistas em ética afirmam que a relação pode exigir apuração legislativa para esclarecer a relação entre políticas da Administração e interesses estrangeiros. O debate envolve até que ponto acordos com entidades de fora influenciam decisões governamentais, especialmente em áreas sensíveis como tecnologia e segurança nacional. Autoridades reiteram que não houve mudança de posição oficial sobre a Emoluments Clause.
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