- A Human Rights Watch recomenda mudanças nas políticas de segurança pública no Brasil, com desmantelamento do crime organizado, enfrentamento de ligações com agentes públicos e investigações independentes, além de reformas para tornar a atuação policial mais eficaz.
- A organização afirma que estratégias baseadas no uso irrestrito da força letal têm falhado e aumentam violência e insegurança.
- Entre janeiro e novembro de 2025, a polícia brasileira matou 5.920 pessoas, sendo as pessoas negras as principais vítimas, com até três vezes e meia mais chances de morrer que as pessoas brancas.
- Embora haja casos de legítima defesa, a HRW aponta execuções extrajudiciais, abusos e corrupção que minam a confiança das comunidades e a cooperação com investigações.
- O tema deve figurar entre os eixos da campanha eleitoral deste ano, com propostas baseadas em evidências para melhorar a coordenação entre órgãos federais e estaduais e proteger direitos.
Em relatório anual, a Human Rights Watch HRW aponta para mudanças nas políticas de segurança pública no Brasil. A organização destaca que o tema deverá ocupar posição central na campanha eleitoral deste ano, com foco em direitos humanos e eficácia das ações contra o crime.
Segundo a HRW, autoridades brasileiras precisam adotar medidas para desmantelar o crime organizado e investigar supostas ligações com agentes públicos. A organização também cobra reformas para tornar a atuação policial mais eficaz e sujeita a investigações independentes.
A entidade aponta que estratégias que recorrem ao uso excessivo da força não tornam as cidades mais seguras. Em vez disso, geram mais violência e desconfiança nas comunidades, o que dificulta denúncias e cooperação com investigações.
Entre janeiro e novembro de 2025, a polícia brasileira matou 5.920 pessoas, segundo a HRW. A organização afirma que as vítimas negras são as mais atingidas, com até 3,5 vezes mais chances de serem fatais do que brancas.
A HRW ressalta que parte das mortes ocorre em legítima defesa, mas muitas são consideradas execuções extrajudiciais. O relatório aponta abusos e corrupção como fatores que alimentam o medo e reduzem denúncias.
O documento enfatiza que a segurança pública deve ganhar destaque no processo eleitoral de 2026. A entidade defende propostas de segurança baseadas em evidências para melhorar a coordenação entre federal e estadual.
César Muñoz, diretor da HRW no Brasil, afirma que os candidatos precisam apresentar medidas para proteger direitos ameaçados pelo crime organizado e pela atuação policial em bairros de baixa renda.
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