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MP Militar acusa Bolsonaro de descaso aos preceitos éticos

Ministério Público Militar envia ao Superior Tribunal Militar representação por indignidade ao oficialato de Jair Bolsonaro, com potencial perda da patente

Bolsonaro será julgado pelo STM e pode perder a patente. (Foto: André Borges/EFE)
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  • O Ministério Público Militar protocolou no Superior Tribunal Militar uma representação para declarar a indignidade ao oficialato do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
  • Se o STM aceitar o pedido, Bolsonaro pode perder a patente.
  • O documento, assinado pelo procurador-geral da Justiça Militar, Cláudio Bortolli, afirma que Bolsonaro organizou um golpe e agiu com desrespeito aos preceitos éticos da disciplina militar.
  • A denúncia sustenta que ele não reconheceu o resultado das eleições e planejou o golpe, citando trechos da legislação militar e decisão da Primeira Turma do STF.
  • A representação aponta ainda xingamentos a autoridades, uso de discurso de ódio e referência a uma suposta “minuta do golpe” discutida por Filipe Martins; Bolsonaro cumpre pena em regime no 19º Batalhão de Polícia Militar do DF, e o STF analisa a perda de patente.

O Ministério Público Militar (MPM) apresentou uma representação para declaração de indignidade para o oficialato contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Superior Tribunal Militar (STM). A medida, protocolada nesta terça-feira, pode levar à perda da patente caso o STM acolha o pedido. A denúncia é assinada pelo procurador-geral da Justiça Militar, Cláudio Bortolli.

Segundo o MPM, Bolsonaro organizou um golpe contra as instituições ao longo de aproximadamente um ano e meio, faltando com a probidade, lealdade e disciplina. O Ministério sustenta que ele tentou contornar obrigações e ordens, especialmente as emanadas pelo STF e pelo TSE.

A investigação destaca que o ex-presidente teria agido com desrespeito aos preceitos éticos da carreira militar ao planejar o suposto golpe e não reconhecer o resultado das eleições. Parte do texto baseia-se em citações da legislação militar e de trechos da decisão da Primeira Turma do STF.

Bolsonaro está cumprindo pena de 27 anos e três meses em regime de prisão no 19º Batalhão de Polícia Militar do Distrito Federal. A decisão da Primeira Turma do STF encaminhou o julgamento sobre a perda de patente ao STM, conforme o relatório do MPM.

O Ministério também aponta falhas no dever de discrição, atribuindo ao ex-presidente a escolha de chamar autoridades de outros poderes de “canalhas” durante discursos, além de o ex-assessor Filipe Martins ter sido citado na defesa da existência da chamada “minuta do golpe”.

A denúncia reforça que Bolsonaro teria feito uso de estruturas do Estado, inclusive armas, para ameaçar o funcionamento dos poderes constitucionais. Em reunião ministerial gravada, haveria ainda menção a práticas de corrupção entre ministros da Suprema Corte.

Ao final, o MP atualiza que já ajuizou outras quatro ações relacionadas aos condenados na Ação Penal 2.668/STF, ressaltando a gravidade dos delitos e a violação dos princípios éticos militares. A defesa de Bolsonaro não encaminhou posicionamento definitivo no momento.

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