- Brasil e Rússia defendem uso pacífico da energia nuclear e discutem geração de energia, ciclo do combustível e atualização da base jurídica da cooperação, em fórum no Itamaraty, em Brasília.
- Documento assinado por Geraldo Alckmin e Mikhail Mishustin destaca ampliar radioisótopos medicinais para saúde e cooperação em indústria farmacêutica e médico-hospitalar.
- O texto também cita interesse em projetos conjuntos na área nuclear e na cooperação em áreas industriais, digitais e de segurança cibernética.
- O documento ressalta o multilateralismo e critica medidas coercitivas unilaterais; Lula enfatizou ações para fortalecer o multilateralismo.
- Comércio entre os países em 2025 somou cerca de US$ 11 bilhões; há necessidade de maior diversificação e cooperação em tecnologia, energia, saúde e produção de bens industrializados.
Brasil e Rússia defenderam o uso pacífico da energia nuclear durante o Fórum Empresarial Brasil-Rússia, realizado no Itamaraty, em Brasília. O anúncio foi feito por Geraldo Alckmin, vice-presidente do Brasil, e Mikhail Mishustin, primeiro-ministro da Rússia.
O documento conjunto enfatizou interesse em ampliar a pauta de radioisótopos medicinais para atender a necessidades de saúde. Também aponta metas de cooperação em geração de energia nuclear, ciclo do combustível e atualização da base jurídica bilateral.
No encontro, expirou o tratado New Start, que limitava armas nucleares entre EUA e Rússia. A notícia não trata de decisões administrativas ali, mas sinaliza capítulo de relações estratégicas entre os países.
Além da energia, o texto valoriza cooperação na indústria farmacêutica, setor médico-hospitalar, construção naval, tecnologias digitais e segurança cibernética. O objetivo é ampliar o intercâmbio técnico e comercial.
Multilateralismo e comércio
O documento ressalta o multilateralismo e critica medidas coercitivas unilaterais contra países em desenvolvimento, sem mencionar nomes específicos. A nota afirma que tais medidas são ilícitas e prejudicam o direito internacional.
O Palácio do Planalto divulgou que o presidente Lula sublinhou a urgência de fortalecer o multilateralismo e manter mecanismos de acompanhamento para ampliar resultados práticos para Brasil e Rússia.
Os dois países destacaram ainda a importância de ampliar o comércio, com foco em importações, exportações e pesquisa conjunta. Alckmin ressaltou que o Brasil é grande produtor de alimentos e a Rússia, de insumos agrícolas.
Economia, tecnologia e longo prazo
O fluxo comercial entre 2025 ficou em torno de US$ 11 bilhões, com deficit para o Brasil. A dupla atualizou a visão de diversificação, buscando bens com maior valor agregado e cooperação tecnológica.
Mishustin reforçou a participação da Rússia entre os cinco principais parceiros de importação do Brasil e apontou oportunidades em áreas como química, energia, petróleo e gás, além de medicamentos e espaço.
O premiê russo destacou que há condições para transferência de tecnologia na área farmacêutica e mencionou avanços em cibersegurança e soberania digital, com cooperação regulatória brasileira para avaliação de medicamentos russos.
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