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Câmara acelera tramitação de projeto que quebra patente de caneta emagrecedora

Projeto aprovado em regime de urgência pode permitir quebra de patente de canetas emagrecedoras, ampliando oferta de genéricos, enquanto Anvisa investiga pancreatite e seis mortes

Quebra de patente de canetas emagrecedoras permitiria que outras empresas fabriquem medicamentos semelhantes e aumentaria a oferta dos produtos no mercado — Foto: Getty Images
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  • Câmara aprovou tramitação em regime de urgência para projeto que permite a quebra de patente de medicamentos à base de tirzepatida, usados no tratamento da diabetes mellitus tipo dois e obesidade, com 337 votos a 19.
  • Regime de urgência viabiliza análise direta no plenário, sem passagem por comissões.
  • O projeto classifica os medicamentos como de “interesse público”, o que abriria espaço para fabricação de similares e maior oferta de Mounjaro e Zepbound.
  • Autores defendem que os fármacos ajudam no combate a doenças crônicas e citam custo mundial da obesidade, estimado em 1,2 trilhão de dólares, com mais de 2,7 bilhões de pessoas necessitando de cuidados médicos.
  • Anvisa investiga mais de duzentos casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de canetas emagrecedoras, incluindo seis mortes; casos podem envolver produtos falsificados.

A Câmara dos Deputados aprovou, nesta segunda-feira (9), tramitação em regime de urgência de um projeto de lei que autoriza a quebra de patente de medicamentos à base de tirzepatida, usados no tratamento da diabetes tipo 2 e obesidade. O objetivo é facilitar a produção de alternativa aos fármacos, ampliando a oferta no mercado. Votação registrou 337 votos a 19.

O regime de urgência permite que o tema seja analisado diretamente pelo plenário, dispensando a apreciação por comissões. O texto atribui aos medicamentos Mounjaro e Zepbound o status de interesse público, o que abriria espaço para a entrada de concorrentes.

A defesa do projeto sustenta que a medida pode contribuir para reduzir custos e ampliar o acesso a tratamentos. O autor do requerimento, deputado Mário Heringer, cita o impacto financeiro global das doenças associadas à obesidade, estimando gasto mundial de 1,2 trilhão de dólares e mais de 2,7 bilhões de pessoas que necessitam de cuidados médicos.

Críticas de parte dos parlamentares enfatizam insegurança jurídica para o setor farmacêutico, temendo prejuízos à propriedade intelectual e à inovação. A tribuna foi marcada por alegações de possível efeito precedente, sob a justificativa de interesse público.

Pancreatite

No momento da apreciação legislativa, a Anvisa confirmou mais de 200 casos suspeitos de pancreatite potencialmente relacionados ao uso de canetas emagrecedoras, com seis mortes investigadas. Os casos envolvem marcas como Ozempic, Mounjaro e Saxenda, entre outras.

A agência ressalta que, apesar de o nome comercial constar nas notificações, há possibilidade de o ocorrido envolver produto falsificado. As informações estão sob apuração das autoridades sanitárias, sem confirmação de vínculos diretos entre os fármacos e os óbitos.

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