- Em menos de um ano, as acusações federais por agressão e obstrução a agentes subiram para pelo menos 655 pessoas, mais que o dobro do mesmo período em 2024–2025.
- Becky Ringstrom, mãe de sete, foi presa em Minneapolis após seguir veículos de autoridades de imigração; ela recebeu uma citação sob uma lei federal que criminaliza obstrução a oficial em serviço.
- A lei citada permite acusações de felonia ou contravenção; em caso de felonia, a pena pode chegar a até 20 anos de prisão, com agravantes para uso de arma ou resulting em ferimento.
- Vídeos verificados pela Reuters mostram agentes abrindo fogo ou sacando armas quando se aproximam de veículos que estariam seguindo as operações de imigração.
- O governo mantém um banco de dados com nomes e informações de manifestantes que supostamente provocaram ações contra agentes, com a finalidade de identificar padrões para futuras acusações.
Becky Ringstrom, moradora de 42 anos, foi presa em Minneapolis ao seguir agentes federais de imigração em seu veículo. A ocorrência ocorreu após ficar cercada por veículos não identificados, com pelo menos seis agentes encapuzados que se aproximaram da Kia prata e bateram no vidro com objeto metálico, como forma de ameaça.
A prisão, registrada em vídeo por curiosos e verificado pela Reuters, resultou em uma citação por obstrução à atuação de autoridades federais. Ringstrom foi levada ao Bishop Henry Whipple Federal Building, onde recebeu a notificação sob a lei que proíbe impedir ou interferir no trabalho de agentes federais.
A denúncia envolve centenas de pessoas desde o fim do verão, num esforço do governo para endurecer ações contra opositores ao ICE. O conjunto de acusações se baseia noTítulo 18, Seção 111 do Código dos EUA, com penas que variam conforme a gravidade, podendo chegar a 20 anos de prisão em casos de felonias.
Ao longo de 2025 e 2026, a administração anterior intensificou operações que envolvem denúncias a agentes por suposta obstrução, com registros mostrando mais de 600 processamentos sob essa lei, período superior ao observado entre 2024 e 2025. Dados são extraídos de registros criminais públicos.
O ICE mantém um banco de dados interno com nomes e fotos de manifestantes, segundo fontes que pediram anonimato. Registros incluem locais, ações provocadas e placas de veículos, segundo as fontes, que afirmam usar o material para detectar padrões que possam levar a novas acusações.
Três incidentes recentes em Minnesota mostraram quando agentes emergem com armas desembainhadas contra motoristas que seguem o carro oficial. Um vídeo de 29 de janeiro mostrou abordagem abrupta e armas apontadas, após uma perseguição de veículo que seguia os agentes.
Em 3 de fevereiro, outro carro seguinte foi abordado com as armas ainda visíveis, segundo a DHS. A agência informou que o veículo havia perseguição e obstrução, enquanto não é possível verificar de forma independente a versão apresentada.
O DHS destacou que a operação buscava prender um suspeito, e que os envolvidos teriam feito gestos sugerindo possuir arma. A Reuters não confirmou de forma independente esses elementos em todos os casos, mantendo a prática de checagem com material público.
Observadores locais relatam que, em alguns casos, moradores passaram a se sentir visados por ações que pareciam intimidatórias. Em janeiro, uma moradora teve retorno de um agente à residência, num episódio registrado por vídeo familiar, gerando questionamentos sobre táticas de persecução.
Funcionários do governo ressaltam que as ações visam proteger autoridades, o público e propriedades federais. Um porta-voz do ICE, em entrevista anterior, disse que a lei penaliza agressões e obstrução, e que houve uso mínimo de força para cumprir as tarefas oficiais.
Perspectivas e controvérsias
Especialistas em policiamento discutem a interpretação da lei que, em alguns casos, pode exigir contato físico para caracterizar resistência. Avaliações judiciais em Minnesota discutiram distâncias permitidas entre motoristas e veículos de autoridades, com decisões recentes pausadas por instâncias superiores.
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