- A CBP assinou acordo para que unidades de inteligência da Border Patrol tenham acesso à ferramenta de reconhecimento facial da Clearview AI, que usa mais de 60 bilhões de imagens publicamente disponíveis para “targeting tático” e “análise estratégica de redes”.
- O acesso se estende ao quartel-general de INTEL e ao National Targeting Center, integrando a ferramenta ao trabalho diário de analistas com várias fontes de dados.
- O contrato prevê o processamento de dados biométricos sensíveis, com acordos de confidencialidade para contratados; não fica claro quais fotos podem ser carregadas, se podem incluir cidadãos americanos ou por quanto tempo imagens e resultados são retidos.
- O acordo ocorre em meio a escrutínio sobre o uso de reconhecimento facial por órgãos federais e propostas de lei que pretendem restringir ICE e CBP, além de ligação do projeto a pilotos em 2025.
- Organizações de direitos civis destacam preocupações sobre uso como infraestrutura de inteligência, enquanto testes do National Institute of Standards and Technology indicam variações de precisão dependendo da qualidade das imagens, sugerindo uso como ferramenta de investigação com listas de candidatos.
O CBP assinou um acordo com a Clearview AI para o uso de reconhecimento facial com fins de “targeting tático”. O contrato amplia o acesso de unidades de inteligência da Border Patrol, incluindo o INTEL e o National Targeting Center, a ferramentas da empresa. A proposta aponta uso em análises diárias de inteligência, não apenas em casos isolados.
Segundo o documento contratual, a Clearview disponibilizará acesso a mais de 60 bilhões de imagens publicamente disponíveis. O objetivo é apoiar ações de identificação, mapeamento de ligações e redes consideradas ameaças à segurança nacional e à imigração. A iniciativa integra o que o governo classifica como esforço coordenado para desorganizar redes suspeitas.
O acordo menciona que analistas lidarão com dados sensíveis, incluindo identificadores biométricos. Trata-se de um regime de confidencialidade para contratados com acesso às informações. Ainda não há detalhes sobre quais fotos poderão ser enviadas, nem se há inclusão de cidadãos americanos, ou tempo de retenção de imagens.
A parceria ocorre em meio a crescentes escrutínios sobre o uso de reconhecimento facial por frotas federais. Grupos de defesa de liberdades civis e legisladores questionam se as ferramentas são usadas como infraestrutura de inteligência rotineira ou apenas como apoio investigativo com salvaguardas adequadas.
Na semana passada, o senador Ed Markey apresentou uma proposta legislativa para proibir o uso de tecnologia de reconhecimento facial pela ICE e pela CBP, citando preocupações sobre vigilância biométrica sem limites claros, transparência ou consentimento público.
A CBP não respondeu rapidamente sobre como a Clearview será integrada aos seus sistemas, nem sobre quais tipos de imagens poderão ser carregadas ou se buscas poderão incluir cidadãos dos EUA. As informações oficiais indicam que a tecnologia poderá se conectar ao sistema de “Targeting Automatizado” da agência, que agrega catálogos biométricos, listas de vigilância e registros de enforcement.
O modelo de negócios da Clearview já recebeu críticas por vasculhar imagens de sites públicos sem o conhecimento ou consentimento das pessoas. A empresa também aparece em inventário de inteligência artificial do DHS, relacionado a um piloto da CBP iniciado em outubro de 2025, ligado ao Traveler Verification System, utilizado em portos de entrada.
Estudos do National Institute of Standards and Technology (NIST) apontaram limitações do reconhecimento facial, especialmente em fotos de qualidade não ideal ou capturadas em ambientes não controlados. Em testes, taxas de erro altas sugerem que o sistema pode reconhecer incorretamente pessoas ou deixar de identificar adequadamente os alvos.
Diante disso, a NIST recomenda que o software seja usado em cenário investigativo, com uma lista de candidatos para revisão humana, ao invés de uma confirmação automática. Em configurações que sempre retornam candidatos, há risco de resultados imprecisos para pessoas não cadastradas.
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