- Meta e Alphabet (controladora do YouTube) são acusadas pela Justiça da Califórnia de programar seus algoritmos para viciar usuários, especialmente crianças e adolescentes.
- O processo também envolveu inicialmente TikTok e Snapchat, mas elas fecharam acordo com a acusação.
- A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M., que criou contas no YouTube aos oito anos e no Instagram aos nove; hoje busca tratamento para problemas de saúde mental.
- A acusação compara o funcionamento das plataformas ao da indústria do tabaco e classifica o scroll infinito como um “cassino digital”; as empresas negam as alegações.
- O caso é o primeiro desse tipo a ser analisado por júri popular nos Estados Unidos, e especialistas destacam que o veredito pode influenciar outras ações, nacionais e internacionais.
Duas das maiores empresas de tecnologia do mundo foram acionadas pela Justiça da Califórnia, nos EUA, em um julgamento de júri popular. Meta, dona do Instagram, e Alphabet, controladora do YouTube, são acusadas de programar algoritmos para viciar usuários, especialmente crianças e adolescentes. O caso envolve também, inicialmente, TikTok e Snapchat, que fecharam acordo com a acusação.
A denúncia sustenta que o funcionamento das plataformas se assemelha à indústria do tabaco, e descreve o scroll infinito como uma espécie de cassino digital. As empresas negam as acusações. O julgamento marca o primeiro desse tipo a ser decidido por júri popular nos EUA.
A ação foi movida por uma jovem de 20 anos, identificada pelas iniciais K. G. M., que abriu conta no YouTube aos 8 anos e no Instagram aos 9. Segundo a queixa, ela passou mais de 16 horas conectada em um único dia e, na idade adulta, foi diagnosticada com problemas graves de saúde mental.
Especialista comenta
Carolina Rossini, professora de Direito da Tecnologia na Escola de Direito da Universidade de Boston e diretora de Programas de Tecnologia de Interesse Público na Universidade de Massachusetts, analisa o que se sabe sobre algoritmos e dependência de redes sociais. Ela avalia possíveis impactos do veredito para o Brasil e para ações internacionais.
De acordo com a pesquisadora, a relação entre algoritmos e comportamento varia conforme o design das plataformas, políticas de moderação e dados usados pelo sistema de recomendação. O resultado do julgamento pode influenciar futuras ações regulatórias e ajustes em modelos de negócio digitais.
Possíveis desdobramentos
Segundo especialistas, o veredito pode estimular revisões de responsabilidade de plataformas, especialmente em relação a usuários jovens. Além disso, decisões semelhantes podem servir de precedente para casos envolvendo outros serviços de vídeo e redes sociais. As partes devem apresentar argumentos sobre como mitigar impactos sem restringir a operação comercial.
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