- O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu o arquivamento de inquérito que investigaria Carla Zambelli por coação e obstrução.
- Em junho, o ministro Alexandre de Moraes havia decidido pela abertura do inquérito, após entender que as declarações de Zambelli indicavam fuga e condutas contra instituições.
- Moraes associou o caso aos ex-deputados Eduardo Bolsonaro e ao empresário Paulo Figueiredo, apontando que Zambelli elogiou atos deles e pretendia viajar à Europa com o mesmo objetivo de descredibilizar instituições e coagir investigadores.
- Para Gonet, embora as insinuações fossem claras, não houve concretização de conduta criminosa, e as perícias não mostraram conluíno ou ações que impactassem inquéritos no STF.
- Zambelli permanece presa em Roma desde julho de 2025, aguardando decisão de extradição; ela já foi condenada pelo STF a dez anos de prisão em outro caso, por invasão hacker ao CNJ, e renunciou ao mandato.
O Ministério Público Federal pediu ao STF o arquivamento de um inquérito que apurava se a ex-deputada Carla Zambelli cometeu obstrução de investigação e coação no curso de processo. O resultado, porém, depende de decisão do próprio tribunal. A denúncia envolve declarações de Zambelli em entrevistas que o relator considerou indicar fuga e repetição de condutas ilegais contra instituições.
Moraes já havia determinado a abertura do inquérito em junho do ano passado, ligando as ações de Zambelli às de Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo. O ministro destacou que Zambelli elogiou a atuação desses aliados nos EUA e planejava ir para a Europa com o mesmo objetivo, o que, segundo ele, poderia caracterizar tentativa de descredibilizar instituições e coação de investigadores. O parecer do PGR, no entanto, sustenta que, apesar das insinuações, não houve comprovação de conluio.
Para Gonet, as evidências até o momento demonstram retórica sem execução de atos concretos. Além de ter sido presa na Itália, os peritos não teriam identificado ações que afetassem inquéritos ou ações penais no STF. O procurador entende que é verossímil que o suposto projeto delituoso tenha ficado apenas no plano verbal.
Ex-trâmite penal e situação na Itália
A ex-deputada permanece presa em Roma desde julho de 2025, na Penitenciária Feminina de Rebibbia, aguardando decisão sobre extradição ao Brasil. Ela já foi condenada pelo STF a dez anos de prisão em processo distinto, relacionado a invasão hacker do CNJ, e renunciou ao mandato na Câmara.
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