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Tempo dos monstros: todos citam Gramsci, mas o que ele realmente disse?

Frase atribuída a Gramsci viralizou, mas não há registro dele ter escrito ou dito tempo dos monstros

Antonio Gramsci filled notebooks with his thoughts on political theory and philosophy after being imprisoned by the Italian fascist government in 1926.
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  • A expressão “the time of monsters” é usada para indicar o momento atual, mas não há registro de Gramsci ter dito ou escrito exatamente assim.
  • A primeira ocorrência inglesa associada a ele remonta a Slavoj Žižek, em 2010, embora antes existisse uma versão em francês usada por Gustave Massiah em 1996.
  • Nos Cadernos de Prisão de Gramsci, escritos quando o autor estava preso em 1926, não há menção a monstros; a tradução comum desse trecho é algo como “em este interregno aparecem uma grande variedade de sintomas morbidos” (sem monstruos).
  • A frase ganhou popularidade como recurso poético para expressar desilusão com eventos contemporâneos, desde política interna até crises econômicas, sem envolver uma citação direta do pensador.
  • Gramsci ficou conhecido pela teoria da hegemonia, que explica a dominação cultural da classe dominante; o uso moderno da figura dos monstros está ligado a esse legado, mesmo sem origem literal na sua obra.

O tempo dos monstros: a frase citada como Gramsci é realmente dele ou não? A expressão popularizada de que “o velho mundo morre, o novo hesita em nascer; é o tempo dos monstros” circula como síntese do momento atual, mas não corresponde ao que o pensador italiano afirmou.

O que aconteceu

A ideia ganhou força em debates públicos, posts e lectures ao longo de 2025 e 2026, sendo usada para descrever crises políticas, financeiras e geopolíticas. A frase tornou-se um recurso retórico para sinalizar transição histórica conturbada. No entanto, a origem não está clara nem fiel aos escritos originais de Gramsci.

Quem está envolvido

Diversos atores citaram a expressão como referência, entre eles políticos de diferentes espectros, comentaristas e influenciadores. Pesquisadores, historiadores e especialistas em Gramsci discutem a atribuição correta da frase ao pensador.

Quando e onde nasceu o equívoco

A primeira_indexação inglesa associando a expressão a Gramsci data de 2010, em um artigo da New Left Review assinado por Slavoj Žižek. Antes disso, já havia versões em francês de um trecho semelhante, usada por outros autores. A versão em italiano do Prison Notebooks, escritas em 1926, não contém a expressão tal como circula hoje.

Por que a frase ganha força

O enunciado é visto como poético e dramático, apto a ilustrar o choque entre um mundo que se dissolve e outro que ainda não se firma. Historiadores destacam que o conceito de hegemonia de Gramsci, com sua ênfase na cultura e na sociedade civil, continua relevante para entender crises de legitimidade.

Contexto e uso correto

Os textos originais, traduzidos, falam de um interregno em que surgem morbididades diversas, não de monstros literais. A distorção popular funciona como metáfora, mas desvia da formulação de Gramsci sobre hegemonia e transformação social. Especialistas ressaltam a importância de citar as fontes com precisão.

Impacto intelectual

A ideia de Gramsci influenciou vários movimentos culturais e políticos ao longo das décadas. A noção de que o poder pode se sustentar por meio de cultura é central para interpretações históricas, desde a Europa a outros continentes. Ainda assim, o uso contemporâneo da expressão muitas vezes simplifica a complexidade de suas contribuições.

Notas finais

Especialistas destacam que a atribuição correta exige revisão cuidadosa de fontes originais e traduções. A expressão hoje funciona mais como um marco retórico do que como uma citação autêntica de Gramsci. A discussão continua a iluminar como o pensamento político antigo é reutilizado na era digital.

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