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Desfile sobre Lula cita Temer e Bolsonaro como Bozo; oposição reage

Desfile da Acadêmicos de Niterói homenageia Lula e provoca reação da oposição, com debate sobre propaganda eleitoral antecipada e possível punição

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  • Acadêmicos de Niterói abriu o Grupo Especial do Carnaval do Rio com o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, retratando a trajetória de Lula desde Garanhuns até o Planalto.
  • Desfile mostra Temer “roubando” a faixa presidencial de Dilma, seguido pela prisão de Lula, a passagem do palhaço Bozo (representando Jair Bolsonaro) e o retorno de Lula ao poder, com Moraes ao lado da prisão do palhaço.
  • Lula acompanhou o desfile no camarote do Executivo com o prefeito Eduardo Paes; desceu à pista para acompanhar a passagem da bateria e viu o pavilhão ser beijado pela escola.
  • Questões eleitorais aparecem no debate: TSE decidiu não censurar previamente o desfile, mas processo de propaganda eleitoral anticipada continua; Lula pode ser punido se houver irregularidade.
  • Reações da oposição vieram com cobranças de uso de recursos públicos e críticas ao tom político do desfile, citando possíveis implicações eleitorais e pedidos de cassação de registro.

O desfile da Acadêmicos de Niterói, na abertura do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro, retratou a figura de Luiz Inácio Lula da Silva. Intitulado Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil, ele contou a trajetória do presidente desde Garanhuns até o Planalto. O enredo foi apresentado neste domingo, 15, na Sapucaí.

Lula acompanhou a apresentação direto do camarote do Executivo municipal, ao lado do prefeito Eduardo Paes. Também estavam presentes ministros e aliados. Na passagem da comissão de frente, o presidente beijou o pavilão da escola.

A comissão de frente mostrou momentos da carreira de Lula, incluindo a ascensão ao poder e a passagem de governo para Dilma Rousseff. Também houve encenação envolvendo o ex-presidente Michel Temer, que aparece como quem ‘rouba’ a faixa presidencial de Dilma.

Em seguida, a história avança para Lula preso, o palhaço Bozo (referência a Jair Bolsonaro) tomando a faixa, retorno de Lula ao poder e a prisão do palhaço, próximo ao ministro Alexandre de Moraes, do STF. Alas exaltaram programas sociais do governo petista.

Os carros alegóricos apresentaram Lula em diferentes fases: como criança, metalúrgico e sempre no comando do Executivo. Em uma alegoria, aparece ainda um palhaço preso, associando a figura de Bolsonaro à narrativa cênica.

Propaganda eleitoral antecipada

A homenagem suscitou controvérsia jurídica e eleitoral. A oposição questionou o timing do desfile como possível propaganda antecipada. O Partido Novo acionou o TSE para pedir a suspensão da presença de Lula no desfile, bem como a proibição de publicações nas redes sociais e da entoação do samba-enredo.

O processo busca a condenação de Lula por suposta propaganda eleitoral antecipada. Também foi divulgado que a escola recebeu cerca de 1 milhão de reais em recursos públicos para o desfile. O TSE já informou que impedir a realização do desfile seria censura prévia, e o caso permanece em tramitação.

Caso haja irregularidade comprovada, Lula poderá ser punido pela Justiça Eleitoral. A legislação brasileira veda propaganda eleitoral antes do período permitido, que começa em julho do ano eleitoral.

Repercussões

A oposição reagiu ao desfile. O senador Sergio Moro afirmou que o país presencia algo inédito na Sapucaí. Alega uso de dinheiro público para fins de propaganda eleitoral anticipada.

Eduardo Ribeiro, presidente do Novo, disse que, se Lula registrar candidatura, poderá haver ação pela cassação do registro e inelegibilidade. Já Michelle Bolsonaro afirmou que o que ocorreu não passa de registro judicial de fatos.

Políticos de outros partidos criticaram a apresentação. O governador de Minas, Romeu Zema, afirmou que houve excesso no Carnaval do Rio e disse que levará o caso à Justiça. A discussão envolve aspectos jurídicos e eleitorais em aberto.

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