- A administração Trump revoga a “endangerment finding” (determinação jurídica que sustenta regulamentações climáticas) para regras de veículos, afirmando que isso vai economizar dinheiro aos americanos até 2055, em US$ 1,3 trilhão.
- A EPA sustenta, porém, que a medida pode gerar custos de US$ 1,5 trilhão, superando os supostos US$ 1,3 trilhão em economia, conforme análise de impacto regulatório.
- O estudo aponta que os ganhos virão de redução de preços de veículos (US$ 1,1 trilhão) e de cortes em compras de veículos elétricos e infraestrutura de recarga (US$ 200 bilhões); já os custos virão principalmente de maior consumo de combustível e custos associados.
- Em um cenário de queda acentuada no preço do combustível, os benefícios poderiam superar os custos, mas o documento admite que esse cenário não é realista e não reflete políticas anunciadas pelo governo.
- A análise também não considera custos sociais e climáticos adicionais, que poderiam elevar as emissões de gases do efeito estufa em até 10% até 2055 e gerar até US$ 4,7 trilhões em despesas relacionadas a poluição e saúde.
O governo de Donald Trump anunciou a revogação da determinação de endangerment, base legal que sustenta quase todas as regulações federais sobre mudanças climáticas e padrões de emissão de gases de efeito estufa para veículos. A medida, apresentada pelo presidente e pela secretária do Meio Ambiente, busca reduzir regulamentações e presumidamente economizar dinheiro para os americanos.
A administração assegura que a reversão gerará economia de US$ 1,3 trilhão até 2055. O cálculo divulgado pelo EPA aponta R$ 1,1 trilhão em redução de preços de veículos e US$ 200 bilhões em menor aquisição de veículos elétricos e menor investimento em infraestrutura de recarga.
No entanto, a análise interna indica custos adicionais de US$ 1,4 trilhão até 2055 com maior consumo de combustível, reparos, seguros, congestionamento e ruídos. Soma-se mais US$ 40 bilhões em custos por menor segurança energética e tempo de reabastecimento.
Em termos totais, a revogação da endangerment finding seria associada a aproximadamente US$ 1,5 trilhão em custos, superando as projeções de economia. Especialistas e organizações ambientais contestam a simulação, destacando impactos sociais e climáticos não contemplados.
Análises e críticas
Especialistas afirmam que a conta apresentada não considera plenamente danos climáticos e à saúde pública. A líder de programação de veículos limpos do Conselho de Defesa de Recursos Naturais ressalta que os custos superam os benefícios sob esse cenário.
Um porta-voz do EPA afirmou que a agência segue a lei ao encerrar ações consideradas de alcance excessivo de administrações anteriores. O texto da EPA também cita cenários previstos pela Administração para reduzir o preço da gasolina, com base em estudo de preços de petróleo da Energy Information Administration; a equipe de Harris contesta a relevância prática desse cenário.
Em relação ao repasse de custos, críticos apontam que a análise não oferece evidências de que a política possa, de fato, reduzir os preços de combustível de modo significativo. A avaliação interna indica aumento estimado de preços de gasolina em até US$ 0,75 por galão até 2050, caso as normas sejam eliminadas.
Impactos econômicos e ambientais
A revogação poderia elevar emissões de gases de efeito estufa, conforme projeções de organizações ambientais, com impactos potenciais por volta de 10% até 2055. Estimativas não oficiais apontam aumento de custos de até US$ 4,7 trilhões por danos climáticos e poluição associada, caso ocorram essas mudanças.
Críticos argumentam que a medida favorece interesses de grandes produtores de petróleo, podendo prejudicar a população de baixa renda e trabalhadores. Portavózes de organizações civis reiteram que as consequências para a saúde pública e o clima não são devidamente consideradas.
O tema permanece sob escrutínio de legisladores, órgãos reguladores e especialistas, que coletam dados adicionais para entender os potenciais trade-offs entre economia de curto prazo e efeitos de longo prazo sobre o clima e a mobilidade.
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