- A Acadêmicos de Niterói exibiu Janja no último carro alegórico, mas ela foi substituída na última hora por Fafá de Belém.
- A decisão de não colocar Janja no carro foi atribuída ao medo de tocar em temas que possam desagradar a Justiça Eleitoral e eleitores de centro.
- O desfile contou com Lula, o vice Geraldo Alckmin e mais de uma dezena de ministros, acompanhados por mandamentos negativos sobre o uso de dinheiro público, jatos da FAB, passagens e diárias, entre outros.
- A alegoria de Janja durou pouco; o estandarte próximo ao carro trouxe a frase “Solte sua Janja”, em tom irônico diante da substituição.
- Pesquisas mostram percepção de rejeição à reeleição de Lula: na Quaest, 57% dos eleitores avaliavam que Lula não merece ser reeleito, aumentando a apreensão em palácio sobre o impacto no Carnaval.
O desfile da Acadêmicos de Niterói na Sapucaí chamou atenção ao episódio envolvendo a participação de Janja, ainda que de forma breve. A alegoria que a aproximava da figura da primeira-dama ganhou destaque, mas acabou sendo substituída no último momento por Fafá de Belém. O episódio aconteceu durante o Carnaval do Rio de Janeiro, no espaço do samba no desfile da escola.
Além de Janja, estiveram no espaço reservado ao lado de Lula o vice-presidente Geraldo Alckmin e uma relação de ministros ligados ao governo. Também acompanharam a comitiva integrantes da Advocacia-Geral da União, da Comissão de Ética da Presidência e do PT, todos orientados por mandamentos de conduta. As orientações escritas começavam com a negativa de usar recursos públicos, de requisitar jatos da FAB e de solicitar viagens pagas por empresas, entre outras proibições.
A expectativa era de que Janja entrasse na Sapucaí em um carro alegórico, mas a participação acabou adiantada para o momento anterior à entrada prevista. Em vez disso, o carro foi puxado por uma ala de passistas com um estandarte que dizia Solte sua Janja, sinalizando a substituição. O público observou a mudança de última hora sem alteração no conjunto coreografado pela escola.
A decisão foi interpretada como alinhada a cobranças de conduta pública. A ministra Cármen Lúcia, presidenta do TSE, havia alertado recentemente que a festa de Carnaval não pode servir de fresta para ilícitos. Em seu discurso, ela comparou a politização com areia movediça e disse que quem entra pode sofrer consequências.
Pelo lado do Palácio do Planalto, a decisão de evitar exibir Janja na Sapucaí também refletiu receio de impactos junto ao eleitorado. O ministro Sidônio Palmeira, responsável pela área de Marketing, teria temido reacções negativas entre eleitores diante de mensagens que pudessem soar como favorecimento ou politização.
A percepção interna aponta que a presença de Lula no camarote e a desistência de Janja do carro alegórico não modificaram o cenário de rejeição. Em recente pesquisa Quaest, 57% dos eleitores avaliavam que Lula não merece ser reeleito, o que alimenta o debate sobre estratégias de comunicação do governo durante o carnaval.
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