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Disputa entre Flávio Bolsonaro e Lula pode voltar a decidir eleição

Pesquisa aponta Flávio Bolsonaro como principal oposição a Lula e indica alta rejeição, com potencial de decidir o segundo turno

Flávio Bolsonaro adota discurso moderado para atrair eleitores indecisos na disputa contra Lula. (Foto: Joédson Alves/EFE)
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  • A pesquisa da Genial/Quaest aponta Flávio Bolsonaro como principal nome da direita contra Lula, com vantagem em cenários estimulados.
  • Rejeição: Flávio é visto por 55% e Lula por 54%, indicador que pode decidir o segundo turno em cenários polarizados.
  • No cenário de primeiro turno, Lula fica entre 35% e 39% e Flávio entre 29% e 33%, sem nenhum outro candidato chegar a 10%.
  • O levantamento aponta que o governador Ronaldo Caiado apoia Flávio e não houve efeito significativo de sua entrada no PSD; Caiado deve concorrer à reeleição em São Paulo.
  • Caso haja segundo turno, Lula venceria Flávio por 43% a 38%; conhecimento da pré-candidatura de Flávio atingiu 61% dos brasileiros.

A última pesquisa da Genial/Quaest aponta Flávio Bolsonaro (PL) como principal nome da direita contra a reeleição de Lula (PT) nas eleições de outubro. Em fevereiro, dois meses após ser escolhido por Jair Bolsonaro, ele surge como o candidato da oposição com maior repercussão em cenários estimulados de voto.

O levantamento mostra ainda que Flávio e Lula lideram a disputa pela menor rejeição entre eleitores. Flávio aparece com 55% de rejeição, Lula com 54%, segundo a percepção de fevereiro. A diferença é pequena e pode influenciar cenários de segundo turno.

Especialistas ouvidos pela Gazeta do Povo destacam que esse índice de rejeição é decisivo em cenários polarizados. Em comparação, nenhum pré-candidato sem ligação direta com o entorno Bolsonaro alcança 10% no primeiro turno. Lula oscila entre 35% e 39%, Flávio fica entre 29% e 33%.

Este levantamento, o primeiro da Quaest após a entrada do governador Ronaldo Caiado (PSD) no grupo de presidenciáveis, não projetou Tarcísio de Freitas (Republicanos) entre os cenários estimulados. Caiado, Ratinho Júnior e Eduardo Leite aparecem como um possível trio da chamada direita, sem, contudo, alterar significativamente o cenário.

Pela primeira vez, a Quaest não incluiu Tarcísio nas simulações, em meio à aproximação de Flávio com o espaço político paulista. O apoio de Caiado à pré-candidatura de Flávio ficou registrado, e a expectativa é de que ele concorra à reeleição em São Paulo.

A diferença de votos entre Lula e Flávio, em cenários de segundo turno estimulado, ficou menor desde dezembro. Lula venceria por 43% a 38%, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Em dezembro, a vantagem era de 10 pontos a favor de Lula (46% a 36%).

Rejeição e potencial de crescimento

Segundo Guilherme Russo, da Quaest, Flávio tornou-se mais conhecido após o anúncio de sua pré-candidatura. O percentual que diz conhecer e votar nele subiu de 28% para 36%, enquanto a rejeição caiu de 60% para 55% entre dezembro e fevereiro.

No segmento identificado como “direita não bolsonarista”, Flávio lidera com 72% de potencial de voto e 22% de rejeição. Russo aponta espaço para crescimento entre a direita e o bolsonarismo, conforme o conhecimento aumenta.

A pesquisadora Cila Schulman, da Ideia, vê o discurso moderado de Flávio como estratégia para reduzir a rejeição e atrair apoio de centro. Em outra pesquisa, Meio/Ideia, Lula e Flávio empatam tecnicamente no segundo turno, dentro da margem. Lula lidera em intenções com 45,8% contra 41,1% de Flávio, porém a rejeição é maior para Lula (44%) do que para Flávio (34%).

Antipetismo e cenários futuros

Schulman ressalta que a rejeição a Lula decorre de longas disputas eleitorais do petismo, enquanto Flávio carrega o peso do sobrenome Bolsonaro. Se o segundo turno for entre essas duas figuras, a batalha de rejeição tende a ser decisiva, com eleitores buscando o candidato que apresentará maior chance de derrota de Lula.

O antipetismo de chegada pode definir o opositor de Lula no segundo turno, especialmente se houver disputa interna na direita com menor rejeição. A análise sugere que o eleitorado de centro, com foco em melhorias concretas de vida, terá papel decisivo na definição do próximo presidente.

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