- A violência entre hindus e muçulmanos em Leicester, em 2022, foi alimentada por desinformação online e pela ausência de liderança do prefeito, do conselho municipal e da polícia.
- O inquérito independente relatou que não houve liderança efetiva para gerenciar tensões nem apoiar moradores, e que houve falha em contato com o prefeito durante o inquérito.
- Mais de 50 pessoas foram indiciadas por delitos ligados à violência ocorrida entre maio e setembro de 2022, em uma ação que teve uniões entre jovens de ambos os lados.
- O relatório também aponta lacunas de inteligência, comunicação inadequada e decisões operacionais inconsistentes por parte da polícia de Leicestershire, embora reconheça que algumas ações impediram violência maior.
- Entre as recomendações estão a criação de um fórum permanente de unidade comunitária e treinamento policial sobre comunitarismo e dinâmicas sectárias; o documento também chama atenção para a necessidade de reconhecer e enfrentar o comunitarismo nas comunidades sul-asiáticas.
Em Leicester, no Leste da Inglaterra, houve violência entre comunidades hindus e muçulmanos entre maio e setembro de 2022. O confronto envolveu vandalismo, ataques a casas e comércios, com mais de 50 pessoas acusadas de crimes ligados à violência. A desaceleração da calma ocorreu em uma cidade considerada exemplar de coesão comunitária.
Um estudo independente, conduzido pelo School of Oriental and African Studies e pela London School of Economics, entrevistou cerca de 80 pessoas e consultou várias outras. O relatório aponta que a desinformação online agiu como acelerador central do conflito, enquanto falhas de liderança na prefeitura, no conselho e na polícia contribuíram para a escalada.
A investigação não atribui culpa a um único grupo. Hindus e muçulmanos foram descritos como vítimas e, em alguns casos, como responsáveis. Também aponta lacunas de inteligência, comunicação inadequada e decisões operacionais inconsistentes na polícia de Leicestershire, embora destaque ações que evitaram violência ainda maior.
Além disso, o relatório aponta que não houve reuniões intercomunitárias significativas desde 2022, alimentando desconfiança mútua e narrativas polarizadas. O endurecimento de padrões migratórios, declínio econômico e a influência de ideologias como hindutva e islamismo político são citados como fatores de fragmentação.
O estudo enfatiza que o problema de comunalismo nas comunidades sul-asiáticas no Reino Unido precisa ser reconhecido e enfrentado com urgência. As autoridades locais, incluindo prefeitura, prefeito e polícia, teriam respondido de forma inadequada ou inconsistente, com grandes falhas de inteligência e comunicação.
Recomendações para o futuro
Entre as medidas sugeridas estão a criação de um fórum permanente de unidade comunitária e treinamento de policiais para entender dinâmicas de comunalismo e sectarianismo. A polícia de Leicestershire afirma que enfrentou um conjunto de desafios complexos e continua a trabalhar com as comunidades, ampliando a participação de líderes religiosos em patrulhas conjuntas e observação de investigações.
O relatório também cita ações de engajamento contínuo para apoiar a recuperação e o aprendizado, sem emitir conclusões políticas sobre responsabilidades individuais. O prefeito Peter Soulsby informou que não teve acesso antecipadamente ao relatório e pretende analisar o conteúdo com cautela. A prefeitura de Leicester ainda não respondeu formalmente ao documento.
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