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Hugo Motta aposta em pautas de Lula para se distanciar do caso Master

Motta avança pautas do governo para dissociar Câmara do escândalo Master, promovendo agenda eleitoreira e aproximação com Planalto

Lula e Hugo Motta durante encontro em Brasília: presidente da Câmara promete acelerar votação de acordo Mercosul-UE, uma das prioridades do governo no Congresso. (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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  • Hugo Motta pretende acelerar pautas estratégicas do governo Lula na Câmara nas próximas semanas para se distanciar do caso Master e enfrentar a pressão pela CPI.
  • A prioridade inclui a PEC que extingue a escala de trabalho 6×1 (proposta pela deputada Erika Hilton) e a PEC da Segurança Pública, além do projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos.
  • Motta sinalizou que não pretende instalar a CPI do Banco Master, citando o regimento interno e o atual estoque de CPIs na Casa.
  • Também está em jogo a discussão da PEC da Segurança Pública e do referendo sobre a redução da maioridade penal, temas que o governo vê como ações eleitorais relevantes para 2026.
  • Aliados e especialistas veem a manobra como tentativa de reaproximação com o Planalto, buscando manter governabilidade e capilaridade política em ano eleitoral.

Hugo Motta, presidente da Câmara, pretende acelerar pautas consideradas estratégicas para o governo Lula nas próximas semanas. A estratégia busca distanciar a Câmara da crise envolvendo o Banco Master, enquanto avança com itens de interesse eleitoral.

Aliados veem o movimento como reposicionamento político em ano eleitoral. A pressão pela instalação da CPI do Master cresce, mas Motta tem resistência do próprio presidente da Casa, que também avalia o calendário da atuação legislativa.

Motta sinalizou prioridade a uma PEC que extingue a escala 6×1, apresentada por Erika Hilton e apensada a Reginaldo Lopes. A expectativa é escolher o relator na próxima semana, após envio do texto à CCJ, com votação prevista para maio.

Ele afirma que pretende votar ainda no primeiro semestre temas ligados ao governo, como a PEC da Segurança Pública e o projeto de regulamentação do trabalho por aplicativos. A relação com o Planalto é apresentada como melhoria de ambiente institucional.

Pauta e estratégia

Parlamentares aliados entendem que a agenda positiva ajuda a reduzir a pressão da oposição e a dissociar o escrutínio público do caso Master. Motta afirma cumprir o regimento ao tratar de CPIs, mas não descarta possibilidades futuras.

Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que a gestão da pauta pode reduzir o desgaste político. A ideia é centralizar temas de alto impacto social para manter o foco público em ações governáveis e divididas entre partidos do Centrão e oposição.

Entre as ações discutidas está a regulamentação do trabalho por aplicativos (PLP 152/25), relatada por Augusto Coutinho. O texto prevê regime próprio para motoristas e entregadores, com proteção previdenciária e regras algorítmicas.

A proposta enfrenta resistência de plataformas e de parte dos entregadores, que alertam para impactos econômicos e jurídicos. Mesmo assim, Coutinho ressalta que a finalidade é assegurar segurança jurídica para trabalhadores, plataformas e consumidores.

A bancada também acompanha a possibilidade de um referendo sobre a maioridade penal dentro da PEC da Segurança. O tema, segundo assessores, aparece como parte da discussão sobre segurança pública, com impacto político relevante para 2026.

O ministro da Justiça, Wellington Lima, defende um debate amplo, sem antecipar decisões. Já o PT mostra críticas à formulação do parecer que envolve temas de reforma constitucional e agenda punitivista, apontando impactos políticos distintos.

A estratégia de Motta é visto por analistas como tentativa de consolidar sua posição como gestor de governabilidade. Em ano eleitoral, a condução de temas de grande repercussão pode favorecer o governo e fortalecer o projeto de continuidade do presidente da Câmara.

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