- Guanipa afirma que Venezuela caminha para uma transição política com eleições, em etapas, com apoio de Estados Unidos e Marco Rubio para uma consulta eleitoral.
- Diz que o mundo militar está cansado do regime, mesmo com Alto Mando ainda alinhado, e que as mudanças devem ocorrer antes ou durante o processo eleitoral.
- Relata ter ficado 260 dias preso, em condições extremas na região de Maripérez, e cita perdas pessoais, como a morte da esposa e a distância dos filhos.
- Critica a lei de amnistia por considerar incompleta e defende que a vontade política é o que importa para avanços, com civis e militares beneficiados apenas se houver acordo real.
- Sobre a participação da oposição, aponta que alguns atrasam o processo para estabilizar a economia e adiar eleições; afirma apoio a Maria Corina Machado como candidata e se mostra aberto a uma reconciliação baseada na verdade.
Juan Pablo Guanipa, dirigente opositor próximo a María Corina Machado, afirma que Venezuela caminha rumo a una transición política. Em sua visão, o chavismo perdeu a capacidade de impor condições e o processo eleitoreiro já começou.
Guanipa relata, com base em sua experiência, que esteve 260 dias preso, passando os primeiros 21 dias em condições duríssimas na sede da Polícia Nacional Bolivariana, em Maripérez, Caracas. Descreve a cela como confinamento extremo, com calor intenso de dia, frio à noite, sem água nem saneamento, e sem banho por 21 dias.
O político, formado em Direito pela Universidade do Zulia, hoje dirige o movimento Primero Justicia. Em 2022 reforçou uma aliança com Maria Corina Machado, posição que perdura como uma de suas principais forças políticas. Guanipa também comenta sobre o cenário atual e as atenções internacionais sobre o país.
Questionado sobre a possibilidade de transição, Guanipa afirma que o país vive um processo gradual, com etapas necessárias para que haja eleição. Citando declarações de autoridades americanas, ele aponta que os Estados Unidos reconhecem a necessidade de consulta popular e participação democrática. Afirmou ainda que o mundo militar mostra sinais de desgaste com o regime.
Ao falar sobre a amnistia e a abertura política do chavismo, Guanipa considera que a liberação de opositores antes da lei não valida a necessidade de uma mudança, destacando que a vontade política é o que realmente faz avançar o processo. Avalia que a lei de amnistia é incompleta, com restrições aplicáveis a civis, militares e exilados.
Questionado sobre a participação de setores oposicionistas em eleições organizadas pelo regime, Guanipa critica a falta de alinhamento com compromissos democráticos e reforça a importância de um factual resultado popular, como mostrou a vitória de Maria Corina Machado em 2023. Observa que novos atores surgem com força suficiente para exigir mudanças.
Seu posicionamento sobre uma possível agenda de reconciliação nacional é claro: está disposto a dialogar, desde que haja verdade como base. Reafirma que não admite justificativas que minimizem as violações ocorridas, apontando um grupo interno com maior peso político que precisaria passar por mudanças.
Guanipa também comenta sobre a relação com Estados Unidos e com o Ocidente, ressaltando que a relação deve se normalizar após as eleições e manter-se estável para uma futura convivência diplomática. Sobre o passado recente, descreve como foi detido de forma humilhante e afirma o direito de defender seus direitos frente a abusos de autoridades.
O dirigente reforça que continuará a defender a integridade de sua posição política, mesmo diante de riscos de novas detenções, mantendo o foco em direitos humanos, governança democrática e no impulso de uma transição pacífica, baseada em eleições e no respeito à constituição.
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