- O presidente chileno Gabriel Boric se prepara para deixar o cargo, passando o governo a um sucessor de direita.
- Aos 36 anos ao tomar posse em 2022, Boric buscou transformar a Constituição, mas as propostas de reformulação foram derrotadas em referendos.
- Durante o mandato, ele manteve foco em direitos humanos, feminismo, transição energética e política de litio, alinhando-se a cooperação regional.
- Boric adotou tom crítico em relação a Venezuela e Maduro, diferenciando a esquerda democrática da esquerda autoritária segundo analistas.
- O legado de Boric depende do desempenho do substituto José António Kast, com avaliações condicionadas a cenários econômicos e políticos; comparações a Carter aparecem em análises.
Chileno Gabriel Boric encerra seu mandato nesta semana, ao transferir o poder para o candidato de direita José Antonio Kast. O processo ocorre após anos de mudanças na esquerda latino-americana e de tentativas de reescrever a constituição do país. O episódio marca uma passagem institucional importante para o Chile.
Boric, líder jovem de 36 anos quando tomou posse em 2022, assumiu o governo em meio a protestos de 2019 e prometeu desvincular o Chile do neoliberalismo. Mesmo após enfrentar polarização, elevou a pauta de direitos humanos e de transição energética, com foco em feminismo e indústria de minerais.
O contexto regional aponta para um momento de ascensão de governos de direita jovens na região, em contraste com a postura do Chile sob Boric, que manteve diálogo com a democracia ocidental e condenou abusos de direitos humanos, como em Venezuela, mantendo postura crítica a regimes autocráticos.
Do ponto de vista interno, Boric atuou para moderar a gestão, recuando de posições mais radicais e compondo um gabinete com perfil mais pragmático. Dados oficiais indicam queda de homicídios e uma redução na migração irregular durante o seu governo.
Legado e desdobramentos
Analistas destacam que o legado de Boric depende do desempenho do próximo governo. Se Kast enfrentar um bom cenário externo, a avaliação pode soar como uma evolução da gestão jovem de Boric; caso contrário, pode ser lembrado como um desvio recente da esquerda democrática.
Boric também liderou avanços em acordos comerciais, diversificação de parcerias e uma política externa com maior ênfase em transição energética e cooperação regional. O país continua ampliando sua participação em tratados e iniciativas multilaterais, mesmo diante de desafios internos.
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