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Jürgen Habermas, o último racionalista

O filósofo Jürgen Habermas, último racionalista, defendeu a razão pública como salvaguarda da democracia diante da irracionalidade contemporânea

German philosopher Jürgen Habermas delivers a speech after being awarded the Erasmus Prize at the Royal Palace in Amsterdam on Nov. 6, 2013.
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  • Morreu aos 96 anos, em Starnberg, na Alemanha, o filósofo Jürgen Habermas, principal figura da filosofia no pós‑guerra.
  • Defendeu que a saúde da democracia depende da qualidade da conversa pública e da deliberação racional inclusiva.
  • Em 1962, publicou A Transformação Estrutural da Esfera Pública, mostrando como espaços de debate podem sustentar a democracia.
  • Em 1981, lançou A Teoria da Ação Comunicativa, defendendo que a comunicação busca compreensão mútua e legitima decisões coletivas.
  • Recebeu diversos prêmios e influenciou tribunais e instituições internacionais; em 2024 ganhou o Prêmio Johan Skytte, mantendo sua relevância.

Jürgen Habermas, o filósofo alemão reconhecido como um dos defensores mais rigorosos da razão democrática, morreu aos 96 anos, em Starnberg, na Alemanha. A notícia marca o fim de uma trajetória de sete décadas dedicada à defesa da deliberação pública como fundamento da democracia.

Habermas ficou conhecido por influenciar o direito constitucional, a teoria da democracia deliberativa e o debate sobre a União Europeia. Sua obra mais influente inclui The Structural Transformation of the Public Sphere (1962) e The Theory of Communicative Action (1981), além de Between Facts and Norms (1992).

O percurso intelectual

Nascido em 1929, em Düsseldorf, ele viveu a transição da Alemanha de uma ditadura para a democracia. Ao chegar à Universidade de Frankfurt na década de 1950, absorveu a tradição da Escola de Frankfurt, mas rejeitou o extremo ceticismo. Defendeu que a comunicação humana aponta para entendimento mútuo.

Sua proposta central sustenta que a democracia depende da qualidade do debate público, espaço livre de Estado e mercado onde argumentos competem de forma racional. Segundo Habermas, a legitimidade democrática deriva do alcance de decisões por meio de deliberação inclusiva.

Contribuições e debates

Ao longo de sua carreira, Habermas respondeu a críticas sobre exclusões no espaço público, inclusive dialogando com a feminista Nancy Fraser. Além disso, manteve participação pública em temas como Kosovo, Irã e a integração europeia, defendendo a ideia de uma comunidade de nações pautada pela solidariedade.

Recebeu diversos prêmios, entre eles o Prêmio de Paz da Feira do Livro Alemã, o Prêmio Kyoto de Artes e Filosofia e o Prêmio Johan Skytte de Ciência Política, em 2024. Suas obras foram traduzidas para mais de 40 idiomas.

Legado e impactos

A obra de Habermas influenciou tribunais constitucionais, instituições internacionais e processos deliberativos ao redor do mundo. O livro Between Facts and Norms consolidou a relação entre lei e democracia por meio da deliberação pública inclusiva, em vez de simples maioria.

A morte dele ocorre em um momento em que o discurso democrático enfrenta desafios, incluindo desinformação e polarização. Ainda assim, especialistas destacam que a noção de esfera pública que ele descreveu permanece em prática, ainda que de forma fragmentada.

Sobre a vida pessoal

Habermas era casado com Ute Wesselhoeft, que faleceu no ano passado, e deixa o filho Tilmann e a filha Judith. Sua filha mais velha, Rebekka, faleceu em 2023. O filósofo também deixou um corpo de trabalho celebrado internacionalmente.

A discussão sobre o papel da razão pública e da deliberação continua, segundo analistas, e o legado de Habermas permanece como referência para estudiosos e juristas que buscam compreender a relação entre conhecimento, democracia e legitimidade.

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