- Documento encontrado no celular do lobista Mauricio Novelli aponta que Milei teria recebido US$ 5 milhões para promover Libra, dividido em três parcelas.
- O pagamento incluiria US$ 1,5 milhão adiantado, US$ 1,5 milhão após Milei anunciar Davis como conselheiro e US$ 2 milhões após assinatura de contrato de consultoria em blockchain e inteligência artificial.
- A análise forense faz parte de investigação do promotor Eduardo Taiano sobre o escândalo envolvendo o token; o documento é de 11 de fevereiro de 2025.
- Milei negou irregularidades, disse que apenas compartilhou um projeto encontrado online e que parou de divulgá-lo; o caso gerou acusações de fraude após tuíte de 14 de fevereiro de 2025, com queda de 90% no valor.
- Quatro protagonistas teriam surgido no caso: Julian Peh, Hayden Davis, Mauricio Novelli e Manuel Terrones Godoy, com investigações buscando esclarecer idealizadores, financiadores e beneficiários.
Um documento encontrado no celular do lobista argentino Mauricio Novelli aponta que o presidente da Argentina, Javier Milei, teria recebido US$ 5 milhões (R$ 26 milhões) para promover a criptomoeda LIBRA. A revelação vem de reportagens dos jornais Clarín e El Destape.
O material integra uma análise forense do telefone de Novelli, apreendido no âmbito de uma investigação do promotor Eduardo Taiano sobre o caso LIBRA. O documento, escrito em inglês, foi registrado três dias antes de Milei publicar um tuíte que impulsionou o token.
Segundo a nota localizada no bloco de notas do iPhone, o pagamento a Milei estaria dividido em três parcelas. A anotação inicia com a frase “Este é o acordo final, conforme discutido com H”, e sugere que a inicial se refere a Hayden Davis, empresário ligado ao projeto.
Conforme o documento, o cronograma de pagamentos prevê US$ 1,5 milhão adiantados, mais US$ 1,5 milhão após Milei anunciar que Davis e sua equipe seriam seus conselheiros, e US$ 2 milhões após a assinatura de um contrato de consultoria em blockchain e IA para o governo argentino.
A promoção pública de Milei ocorreu em 14 de fevereiro de 2025, quando o presidente divulgou o token em sua conta no X. A ação elevou temporariamente o interesse pelo ativo, que depois caiu cerca de 90%, gerando acusações de fraude e um processo judicial.
LIBRA era apresentada como uma memecoin baseada na Solana, com a promessa de financiar empresas na Argentina. A queda do preço levou investigadores a apurar a possibilidade de um esquema que teria movimentado até US$ 100 milhões.
Milei nega irregularidades. Em resposta, apagou o tuíte e afirmou ter apenas compartilhado um projeto encontrado online, dizendo ter interrompido a divulgação ao tomar conhecimento de mais detalhes.
A apuração já identificou intensa comunicação entre Novelli e membros do governo antes e depois da publicação, incluindo contatos com Milei e com a irmã do presidente, Karina Milei. O caso segue em análise pelas autoridades.
Quatro protagonistas foram citados pela apuração. Além de Novelli e Hayden Davis, figura o cofundador da KIP Protocol, Julian Peh, que contestou participação direta no lançamento, e Manuel Terrones Godoy, ligado ao Tech Forum Argentina.
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