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Deputada do PL é alvo de cassação por blackface na Alesp

Cassação de Fabiana Bolsonaro avança na Alesp por uso de blackface e ataque transfóbico a Érika Hilton, com representação por decoro parlamentar

Fabiana Barroso ao lado do pai, Adilson Barroso
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  • Fabiana de Lima Souza Barroso, deputada estadual do PL, tem 32 anos e é filha do pastor Adilson Barroso; não tem parentesco com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro e adotou o sobrenome Bolsonaro por afinidade ideológica, apresentando-se como direita extrema, anti-ideologias, cristã e conservadora.
  • Ela é alvo de duas representações por quebra de decoro no Conselho de Ética da Alesp: uma assinada por 19 deputados de PT, PCdoB, PSOL e PSB, e outra pela bancada do PSOL.
  • A acusação envolve discurso em que, em tribuna, Fabiana se pintou de marrom — blackface — e questionou o gênero da deputada Érika Hilton, alegando racismo e transfobia nos seus atos.
  • A representação sustenta que o discurso viola os princípios de dignidade humana e igualdade, com uso de elementos de desumanização histórica para provocar reação, e que reforça estigmas contra LGBTQIA+.
  • Fabiana também é alvo de investigações no Ministério Público Federal e houve boletim de ocorrência na Polícia Civil por racismo e transfobia; a deputada afirmou nas redes sociais que sua fala foi distorcida.

Fabiana de Lima Souza Barroso, deputada estadual do PL de São Paulo, é alvo de dois pedidos de cassação no Conselho de Ética da Alesp, sob a acusação de praticar blackface e proferir declarações transfóbicas contra a deputada federal Érika Hilton (PSOL-SP). A parlamentar não tem relação familiar com a família do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Fabiana é filha do pastor e deputado federal Adilson Barroso (PL-SP). O pai, que já ocupou cargo na Câmara e hoje lidera uma legenda que passou por alterações, tem histórico de aproximação ideológica com o então presidente. A deputada adotou o sobrenome Bolsonaro por afinidade com as pautas defendidas pelo ex-chefe do Executivo, segundo constata a própria atuação política nas redes sociais, onde se identifica como parte da direita conservadora.

Em vídeo divulgado, Fabiana explicou que o sobrenome aparece em documentos e na atuação parlamentar, mas que permanece com o nome de nascimento nos registros civis. Aos 32 anos, ela foi eleita em 2022 com 65.497 votos, tendo passado por cargos anteriores na esfera municipal, como vice-prefeita de Barrinha e secretária de Desenvolvimento Social.

Estrutura institucional e atuação

Na Assembleia Legislativa, Fabiana integra quatro comissões permanentes: Finanças, Orçamento e Planejamento; Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência; Defesa dos Direitos das Mulheres; e Ciência, Tecnologia, Inovação e Informação. A atuação parlamentar abrange temas transversais, com foco em pautas associadas à sua identidade política.

A denúncia contra a deputada envolve duas representações por quebra de decoro. Uma foi assinada por 19 deputados de diferentes siglas, incluindo PT, PCdoB, PSOL e PSB; a segunda foi protocolada pela bancada do PSOL. As queixas apontam que o discurso da parlamentar na tribuna da Alesp teve elementos de desumanização e racismo, ao se utilizar do blackface durante a manifestação pública e ao questionar a atuação de pessoas trans em espaços de poder.

O caso também envolve desdobramentos legais fora da Assembleia. Representações apresentadas pelo PSOL ao Ministério Público Federal e boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo tratam de denúncias de racismo e transfobia. Em sua defesa, Fabiana afirmou que houve distorção de seu conteúdo nas redes sociais, destacando a necessidade de representatividade de diferentes grupos.

A reportagem verifica que o tema envolve ainda questões históricas associadas ao uso do blackface e suas implicações legais, jurídicas e sociais. O assunto permanece sob análise do Conselho de Ética da Alesp e de órgãos de controle, com decisões aguardadas para os próximos meses.

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