- O STF foi essencial para defender a democracia durante o governo de Jair Bolsonaro e no período seguinte, atuando contra desinformação, atos antidemocráticos e no reforço da integridade eleitoral junto ao Tribunal Superior Eleitoral.
- Na segunda fase, o tribunal manteve firmeza ao julgar golpistas e responsabilizar integrantes do 8 de janeiro, superando a tradição de impunidade que favorecia ataques à democracia.
- O ambiente de tensão inclui ataques à sede do STF e críticas ao relator do inquérito das fake news, Alexandre de Moraes, instalado em 2019 pelo presidente do STF à época.
- Alertas sobre condutas passadas de ministros e relações financeiras envolvendo integrantes da corte alimentam críticas e a percepção de conflitos de interesse, com debates sobre reformas e imparcialidade.
- Pesquisas indicam que parte da população vê o STF com excesso de poder e há apoio a ações de impeachment de ministros por setores da ultradireita, gerando risco de enfraquecer a democracia, consolidando o paradoxo de o mesmo tribunal defender a democracia ao mesmo tempo abrir espaço para ameaças.
O STF é o tema de um paradoxo: a mesma corte que ajudou a defender a democracia acabou gerando condições para ataques à própria ordem democrática. A análise parte do papel do tribunal durante e após o governo de Jair Bolsonaro.
Durante o primeiro mandato de Bolsonaro, o STF atuou no combate à desinformação, em investigações sobre atos antidemocráticos e na condução da pandemia. O TSE também ficou atento à integridade eleitoral e ao voto.
No segundo período, o STF julgou golpistas de alta e baixa relevância, reiterando a defesa do Estado de Direito. A atuação efetiva contrastou com críticas anteriores a condutas de ministros ligados a controvérsias históricas dentro da corte.
Paradoxo e amarração de ativos
Desde o início do governo de Bolsonaro, blocos extremistas passaram a perceber o STF como alvo de hostilidade. Entre ataques à sede, como a chuva de rojões, e manifestações a favor do fechamento da corte, o cenário de tensão cresceu.
O inquérito das fake news, instaurado no início de 2019, ganhou destaque pelo papel de Alexandre de Moraes, nomeado pelo próprio STF. A instauração, porém, suscitou críticas sobre o rito de investigação e a excepcionalidade das medidas.
Críticos do STF destacam dilemas antigos, como monocratismo, vistas demoradas e ligações entre magistrados e interesses privados. Pesquisadores apontam a necessidade de reformas para ampliar a credibilidade institucional.
Recentes revelações sobre relações envolvendo dois ministros, ligados à condução do inquérito, alimentaram acusações de conflitos de interesse. A cobertura aponta resistência interna a declarações de impedimento.
Percepção pública e opções políticas
Pesquisa recente indica que 72% dos brasileiros entendem que o STF tem poder excessivo. Enquanto 51% veem a importância da corte para a democracia, 66% consideram relevante votar em candidatos que defendam impeachment de ministros.
A bancada ultradireita sinaliza apoio ao impeachment como plataforma de campanha, buscando ampliar base entre eleitores moderados. O tema reforça a leitura de um STF central para o equilíbrio, porém alvo de críticas.
Senadores de setores conservadores indicam que mudanças no STF poderiam vir com maior apoio parlamentar, o que, na prática, pode afetar a independência institucional. O debate acompanha as expectativas de 2026.
O que se observa é um STF essencial para a democracia, mas ao mesmo tempo gerando condições para novos embates institucionais. O paradoxo permanece, sem que haja um veredito definitivo sobre o caminho institucional.
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