- O Inquérito das Fake News, aberto em 2019, ganhou apoio de parte da sociedade e teve prisões, bloqueios de contas e restrições a perfis como parte da estratégia para combater desinformação.
- Em agosto de 2024, as revelações da Vaza Toga mostraram uso informal do aparato judicial para fins além do combate à desinformação, gerando debates sobre limites e abusos.
- Diversas figuras públicas passaram a questionar Moraes, com mudanças de posição que variam de críticas públicas a avaliações mais contidas sobre o sistema de freios e contrapesos.
- Exemplos emblemáticos incluem a Ordem dos Advogados do Brasil, que passou de apoio ao STF em 2019 para contestação em 2026, e o senador Hamilton Mourão, que reconheceu ter errado em 2022 e, em 2024, destacou amadurecimento diante de ataques aos direitos individuais.
- A Gazeta do Povo informou ter procurado assessorias de figuras como Ciro Gomes, Oriovisto Guimarães, Jorge Kajuru, Eduardo Leite e outros, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.
Por anos, Alexandre de Moraes teve apoio de setores expressivos da sociedade diante do Inquérito das Fake News, aberto em 2019. A justificativa era responder a ataques às instituições democráticas, com prisões, bloqueios de contas e restrições a perfis de redes sociais vistos como necessários ao equilíbrio político.
Com o passar do tempo, o cenário mudou. Em agosto de 2024, revelações da Vaza Toga mostraram uso informal do aparato judicial para fins que extrapolavam o combate à desinformação, abrindo espaço para revisões públicas de posições até então majoritárias. A escuta crítica começou a atingir atores de diferentes espectros políticos.
Parcerias que viraram controvérsia começaram a ampliar o debate sobre fronteiras entre função pública e interesses privados, como no caso do banqueiro Daniel Vorcaro e na atuação contra o jornalista Luís Pablo. Essas situações fortalecem o retrato de um país que precisa discutir os limites do poder judiciário.
Mudanças de posição em setores distintos
1. Ordem dos Advogados do Brasil (OAB)
A OAB apoiou o Inquérito das Fake News em 2019 e manteve silêncio conforme ele se expandia. Em 2026, a entidade ressaltou que inquérito deve apurar fatos específicos, sem se tornar investigação permanente, sugerindo distância crítica do modelo anterior.
2. Hamilton Mourão
O único da lista a reconhecer publicamente erro. Em 2022, disse em cadeia nacional que o Brasil mudaria de governo, não de regime. Em 2024, no Senado, afirmou ter se enganado ao tratar a situação como democrática. A assessoria do senador enviou nota enfatizando amadurecimento diante da vulnerabilidade de direitos individuais e do que chamou de autoritarismo judicial.
3. Ciro Gomes
Em 2020, criticou o Inquérito como exótico, mas apoiou o STF em 2022. Em 2024, reconheceu que Moraes atua de modo questionável, usando metáfora para descrever a atuação do ministro.
4. Oriovisto Guimarães
Em 2021 pediu apoio dos colegas ao STF. Em 2025, defendeu o equilíbrio entre os Poderes e criticou a concentração de decisões em uma única esfera.
5. Jorge Kajuru
Foi o primeiro a pedir impeachment de Moraes em 2021; 2022 o elogiou. Em 2025 assinou novo pedido de impeachment, apontando contradições na atuação do STF.
6. Arthur Lira
Em 2022, Moraes votou contra denúncias de corrupção envolvendo Lira. Em 2024, Lira criticou decisões judiciais que, segundo ele, extrapolam funções. O deputado ressaltou a independência entre poderes.
7. Renan Santos
Líder do MBL — apoiou ações de Moraes contra Bolsonaro e aliados. Em 2025, classificou Moraes como alvo de vingança, com o líder destacando posição crítica anterior do movimento frente aos métodos do ministro.
8. Eduardo Leite
Caso com intervalo curto: em 2025 apoiou Moraes, e em 2025, já sinalizou impeachment, apontando indícios de relação entre ministros e investigados na operação Banco Master.
9. Felipe Neto
Inicialmente criticou ações de Moraes. Em 2025, reduziu a participação pública sobre o tema, adotando posição menos explícita, enquanto a reportagem destacou que o debate segue em aberto entre cobrança de regras e atuação judicial.
Observações finais
A Gazeta do Povo manteve contato com assessorias de diversos nomes citados, sem retorno até o fechamento desta edição. O material deixa claro um fenômeno recente: figuras de várias correntes passaram a questionar a atuação de Moraes, em diferentes graus, ampliando o debate sobre legitimidade, limites do Judiciário e equilíbrio entre os Poderes.
Entre na conversa da comunidade