- Delegados da Polícia Federal aprovaram paralisação de 82 horas, em alusão aos 82 anos da instituição, para cobrar ações do governo Lula e criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC).
- Data da paralisação ainda será definida em nova reunião prevista para esta terça-feira (24).
- Medida ocorre pela ausência de encaminhamento do FUNCOC ao Congresso, apresentado pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado.
- Fundo estimaria usar recursos confiscados do crime, que somaram R$ 16,4 bilhões entre 2024 e 2025, além de criar a Gratificação de Eficiência Institucional (GEI).
- A categoria divulgou carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, destacando sobrecarga de atribuições sem recomposição de recursos e pressão para votar o projeto antes de restrições eleitorais.
A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) anunciou nesta segunda-feira a paralisação de 82 horas para pressionar o governo Lula a criar o Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). A medida foi aprovada em assembleia geral extraordinária realizada no dia 20. A data exata da paralisação deve ser definida em reunião marcada para esta terça (24).
A PF completa 82 anos neste sábado (28). O movimento, batizado de 82 horas sem a PF, visa cobrar encaminhamentos para o FUNCOC, cuja aprovação ainda não ocorreu no Congresso. A ADPF explica que a ausência de encaminhamento é o principal motivo da paralisação.
Durante o período de paralisação, as atividades serão suspensas, mantendo apenas atendimentos emergenciais relacionados a flagrantes, violência ou grave ameaça. A ideia é reduzir a atuação apenas às situações excepcionais de risco à população.
Proposta do FUNCOC e impactos
O FUNCOC foi apresentado pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado. A proposta prevê destinar recursos apreendidos do crime, que somaram 16,4 bilhões de reais entre 2024 e 2025, para financiar a segurança pública e a modernização tecnológica da PF. A criação da Gratificação de Eficiência Institucional (GEI) também está contemplada, vinculando a remuneração ao sucesso na recuperação de ativos ilícitos.
Em janeiro, a ADPF enviou uma carta aberta ao presidente Lula alertando sobre a sobrecarga de novas atribuições sem recomposição de recursos. O presidente da entidade, Edvandir Paiva, afirmou que a aprovação do FUNCOC permitiria usar o produto do crime para combater o próprio crime.
A categoria afirma que a votação do projeto é urgente para a sustentabilidade da segurança pública no Brasil, especialmente diante do calendário eleitoral e das restrições previstas até lá. O objetivo é assegurar recursos estáveis e mecanismos de valorização profissional para a PF.
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