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Kopenawa cobra julgamento no TSE que pode cassar Denarium

Davi Kopenawa solicita ao TSE a inclusão urgente de julgamento que pode cassar Denarium, associando a crise Yanomami ao garimpo ilegal no território.

Kopenawa cobra julgamento de Denarium no TSE e cita crise yanomami
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  • Davi Kopenawa escreveu uma carta à presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, pedindo a retomada do julgamento que pode cassar o governador de Roraima, Antonio Denarium.
  • O yanomami vai ao TSE nesta terça-feira, 24 de março de 2026, para entregar o documento e pedir inclusão imediata do processo na pauta.
  • Na carta, ele associa a permanência de Denarium ao avanço do garimpo ilegal e à piora da crise humanitária na Terra Yanomami, citando mortes por malária, desnutrição e contaminação por mercúrio.
  • O processo contra Denarium no TSE envolve decisões anteriores do Tribunal Regional Eleitoral de Roraima, com cassação da chapa votada em agosto de 2025 e suspensão por pedidos de vista.
  • A crise na Terra Yanomami inclui desmatamento, violência e dezenas de milhares de casos de malária desde 2023, além de mortes ligadas ao garimpo ilegal e à contaminação por mercúrio.

Davi Kopenawa, líder yanomami, enviou uma carta à presidenta do Tribunal Superior Eleitoral, Cármen Lúcia, pedindo a retomada do julgamento que pode cassar o governador de Roraima, Antonio Denarium. O yanomami pretende entregar o documento nesta terça-feira, 24 de março de 2026, na sede do TSE.

Na mensagem, datada de 18 de março, Kopenawa cobra a inclusão imediata do processo contra Denarium na pauta. Ele sustenta que a demora acarreta agravamento da crise humanitária na Terra Yanomami e questiona por que um caso já pronto para julgamento há dois anos não avança.

O líder relaciona a permanência de Denarium ao aumento do garimpo ilegal na região e ao impacto sobre as condições de vida dos povos indígenas. Alega que a atividade traz doença, morte, droga e violência, e que continua avançando mesmo após a crise reconhecida em 2023. A carta cita mortes por malária, desnutrição e contaminação por mercúrio.

A carta de Kopenawa também repercute as consequências da crise humanitária que atinge a Terra Yanomami desde 2023, marcada pela emergência em saúde pública aprovada pelo governo federal. O texto descreve devastação ambiental, violência e dificuldades de acesso a serviços básicos para comunidades isoladas.

Até o momento, os processos contra Denarium chegaram ao TSE em 2024 e tiveram início de julgamento em agosto de 2024, sob a relatoria de Isabel Gallotti. Em agosto de 2025, Gallotti votou pela cassação da chapa, com afastamento do governador e do vice Edilson Damião. A partir de então, a apreciação foi suspensa por pedidos de vista.

ENTENDA O CASO

Antes de chegar ao TSE, Denarium acumulou decisões desfavoráveis no TRE de Roraima, relativas a uso de máquina pública e programas sociais em campanha eleitoral de 2022. O tribunal regional entendeu que houve vantagem indevida, com consequências que variaram entre multa, afastamento e inelegibilidade.

Os acórdãos do TRE foram parar no TSE, que tem a palavra final sobre cassação e inelegibilidade. O governador pretende disputar o Senado em 2026 e deve deixar o cargo de governador em abril, caso a cassação não seja sustida em instância superior.

Situação na Terra Yanomami

A carta de Kopenawa faz referência à crise humanitária na Terra Indígena Yanomami, heightada pela presença de garimpos ilegais desde 2023. Dados oficiais apontam alta incidência de malária, desnutrição e contaminação por mercúrio, além de violência e limitações de atendimento à saúde.

Relatórios técnicos destacam a degradação ambiental, com milhares de hectares de floresta afetados pela atividade garimpeira. A Fiocruz indica presença de mercúrio em várias aldeias, principalmente onde o garimpo é mais intenso, elevando riscos de danos neurológicos, especialmente em crianças.

O STF já derrubou atos de Denarium ligados ao garimpo, ao considerar leis estaduais que extrapolavam competências federais e favoreceram a atividade mineradora. As decisões reforçam o entendimento de que estados não podem flexibilizar regras para exploração de recursos minerais ou impedir fiscalização ambiental.

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