- Capitão da PM de São Paulo, Daniel Tonon Cossani, foi condenado pela Justiça Militar por decumprimento de missão ao deixar o posto em 2021 para prestar serviços privados ao empresário Thiago Brennand; pena de um ano em regime aberto com suspensão condicional da pena.
- Julgamento ocorreu na tarde de segunda-feira (23) no Tribunal de Justiça Militar do Estado de São Paulo, com quase maioria de 4 votos a favor e 1 contrário.
- Segundo a denúncia, Cossani deveria cumprir expediente das 7h às 19h do dia 28 de agosto de 2021, mas deixou o posto para atuar como segurança e motorista de Brennand, acompanhando-o ao aeroporto de Guarulhos.
- Ministério Público considerou a ação como interesse próprio que atendia demanda particular; a defesa afirma que o processo é prescrito e pretende recorrer.
- Brennand, alvo de múltiplas condenações por crimes como estupro e violência contra a mulher, está preso no Brasil desde 2023 após extraditado; a última condenação ocorreu em setembro de 2025.
O capitão da Polícia Militar de São Paulo Daniel Tonon Cossani, à época comandante do Batalhão de Polícia de Choque, foi condenado pela Justiça Militar de São Paulo por decumprimento de missão. A decisão ocorreu pela atuação em 2021, quando teria deixado o posto para prestar serviços particulares ao empresário Thiago Brennand. A pena prevista é de um ano em regime aberto.
A condenação foi proferida na sessão desta segunda-feira (23), pelo TJMSP. O Conselho formou maioria de 4 votos a 1 pela condenação. Além disso, houve a suspensão condicional da pena pelo período legal mínimo. Ainda cabe recurso por parte da defesa.
Segundo denúncia do Ministério Público, Cossani deveria trabalhar das 7h às 19h do dia 28 de agosto de 2021, com sobreaviso até as 7h do dia seguinte. O militar deixou o posto para atuar como segurança e motorista de Brennand, acompanhando-o ao aeroporto.
O documento indica que o capitão seguiu para o condomínio onde residia o empresário e o conduziu até o Aeroporto de Guarulhos para recepcionar uma mulher. Para o MP, a ação configurou interesse próprio e serviço particular, fora das atribuições da função.
A CNN Brasil teve acesso à denúncia, apresentada em julho de 2025, com base no artigo 196 do Código Penal Militar, que trata de deixar o militar de desempenhar a missão confiada. A defesa chamou a condenação de processo prescrito e anunciou recurso.
Sobre Thiago Brennand
O empresário Thiago Brennand já responde a mais de 20 anos de prisão em pelo menos nove ações no TJSP, na maioria por crimes de estupro e violência contra a mulher. Em 2022, após ordem de prisão, fugiu para Abu Dhabi e foi extraditado no início de 2023 para o Brasil.
Em 2024, Brennand foi transferido para a Penitenciária II de Tremembé, onde permaneceu até 12 de dezembro de 2024. Em setembro de 2025, a Justiça de São Paulo o condenou a oito anos de prisão em regime fechado por estupro praticado entre 2015 e 2016, com indenização mínima de R$ 200 mil à vítima.
Sob supervisão de Carolina Figueiredo
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