- Cunha defende orçamento integral impositivo, substituindo as emendas parlamentares, que classifica como ferramenta de chantagem.
- Alega que o orçamento atual é de faz de conta e que governos podem inflar a receita próximo de votações e contingenciar depois.
- Diz que, se Flávio Bolsonaro for eleito, deve haver maioria no Congresso; se Lula for reeleito, a posição de centro-direita tende a crescer, tornando a situação dele ainda pior.
- Classifica o Brasil como vivendo uma “anarquia” institucional e pede reforma política ou mudança no modelo de eleição, rejeitando a ideia de semipresidencialismo.
- Critica o STF por interferir no Legislativo e propõe normas para reduzir esse papel; afirma que Zema é viável como terceira via, mas não é eleitoralmente viável, mantendo posicionamento conservador.
Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, concedeu entrevista exclusiva à RECORD NEWS nesta quarta-feira (25). O pré-candidato a deputado federal discutiu o cenário político, defendendo o fim das emendas parlamentares e a adoção de um orçamento integral impositivo. A entrevista tratou ainda de perspectivas para o Congresso e para o governo federal.
Cunha afirmou que as emendas atuais funcionam como mecanismo de chantagem entre parlamentares. Segundo ele, o orçamento precisa ser impositivo para evitar manobras de votação. O ex-parlamentar lembrou que, sob o modelo atual, o governo pode executar apenas parte das emendas, dificultando acordos.
O ex-presidente da Câmara comentou sobre o governo Lula no atual mandato e no potencial quarto mandato. Ele sugeriu que, se Flávio Bolsonaro for eleito, pode haver maior apoio no Congresso devido à composição de centro-direita. Em contrapartida, indicou que, caso Lula seja reeleito, a bancada de centro e direita poderia crescer, ampliando a oposição ao governo.
Análise sobre o modelo de poder
Cunha disse enxergar o sistema presidencialista atual como um fator de fragmentação, defendendo a necessidade de reforma política ou de novo formato eleitoral. Segundo ele, o tema é essencial para evitar uma “anarquia” institucional e melhorar a governabilidade.
O ex-parlamentar afirmou que o STF não deve virar fonte de recurso para votações. Ele destacou que disputas legais podem atrasar decisões legislativas e que o Judiciário é acionado por partidos que perdem votações. A proposta dele envolve orientar normas que reduzam interferências do Judiciário no Legislativo.
Sobre nomes que aparecem como alternativa na chamada terceira via, Cunha considerou viável a candidatura de Romeu Zema, mas disse duvidar da viabilidade eleitoral dele. Quanto a sua própria candidatura, manteve o posicionamento conservador, sem radicalização, com ênfase em propostas de caráter liberal-conservador.
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