- Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia, diz que o desalento dos eleitores se agravou nas últimas eleições, com sensação de que o sistema está quebrado.
- Ele aponta que Bolsonaro foi eleito em 2018 com agenda anti-sistema e que, em 2022, Lula também foi visto como antissistema, rejeitando a ideia de “paz e amor”.
- Segundo AtlasIntel/Bloomberg, cinquenta e dois por cento rejeitam votar em Lula; quarenta e seis vírgula um por cento não votariam de jeito nenhum em Flávio Bolsonaro; quarenta e sete vírgula quatro por cento temem a reeleição de Lula e quarenta e quatro vírgula cinco por cento temem a vitória de Flávio.
- Dados do Datafolha mostram que sessenta e um por cento da população se sente desanimada, também com medo do futuro (sessenta e um por cento) e triste (sessenta e nove por cento).
- Apesar disso, a renda real subiu dezenove por cento nos últimos três anos e o desemprego está em cinco por cento; o pessimismo abrange ainda corrupção e segurança, com corrupção apontada como maior preocupação e criminalidade em cinquenta e três por cento.
O desalento dos eleitores no Brasil tem acompanhado as eleições, mesmo com indicadores econômicos favoráveis nos últimos anos. A leitura é de Christopher Garman, diretor-executivo do grupo Eurasia, que aponta uma prática de voto descontente com o sistema político.
Segundo Garman, o pessimismo se acentuou nas urnas ao longo das últimas eleições. Ele afirma que houve adesão a propostas antissistema em 2018 e 2022, quando candidatos ganharam com discurso de ruptura contra instituições tradicionais, como Judiciário e mídia.
Para 2026, o cenário é visto como diferente: as principais forças políticas aparecem desgastadas perante a população, o que transforma o pano de fundo da campanha. Dados de pesquisas ajudam a entender o contexto sem apontar um favorito claro.
Panorama de intenções de voto
Uma leitura de AtlasIntel em parceria com a Bloomberg aponta resistência a votar em Lula, com cerca de 52% dispostos a rejeitar o petista, e 46,1% apontando rejeição a Flávio Bolsonaro. Em relação ao tom da disputa, 47,4% temem uma reeleição de Lula e 44,5% temem a vitória de Flávio Bolsonaro.
Desempenho econômico e percepção pública
Dados do Datafolha mostram que 61% da população se sente desanimada, 61% teme o futuro e 59% diz estar triste. Ainda conforme a pesquisa, o desalento persiste mesmo com alta renda real nos últimos três anos e queda no desemprego, fatores citados por especialistas como contrapeso ao pessimismo.
Temas de preocupação
A sondagem indica que corrupção preocupa muito, com a aprovação de medidas contra o tema como uma prioridade para o eleitorado. O segundo principal tópico é a criminalidade, citada por 53,3% dos entrevistados como preocupação relevante.
Impacto sobre as propostas de campanha
Especialistas ressaltam que, diante do cenário, candidatos precisarão moldar discursos e propostas que deem resposta ao desânimo generalizado. O contexto eleitoral é visto como fator decisivo para o posicionamento de candidaturas, segundo a análise citada.
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