- Rafael Concepcion, professor em Syracuse, criou o aplicativo DEICER para denunciar operações do ICE e informar imigrantes sobre direitos constitucionais.
- DEICER foi lançado em julho de 2025, teve milhares de downloads e depois foi retirado da App Store sob justificativa de colocar agentes da imigração em risco.
- Concepcion enfrentou ameaças, perdeu o emprego na Newhouse School e continuou desenvolvendo projetos, incluindo versões regionais de DEICER.
- Em janeiro de 2025, Gabriel, filho de um chef imigrante, foi detido pelo ICE; Gabriel teve direito a fiança e o pai acabou deportado em fevereiro, após acionar apoio legal.
- Em fevereiro de 2026, os projetos anti-ICE de Concepcion foram hackerados e houve desinformação envolvendo suposta financiarização do DEICER; pouco depois, seu status de Global Entry foi revogado, elevando a insegurança pessoal.
Rafael Concepcion, programador independente e professor de Syracuse University, passou meses desenvolvendo ferramentas para enfrentar o endurecimento das políticas de imigração. Sua trajetória envolve desde uma ida a uma mercearia mexicana até a criação de uma plataforma de denúncia de ações do ICE.
A experiência na loja de Maria Hernandez o levou a escrever um artigo de opinião sobre lutar pelos imigrantes. Após críticas a favor da legalidade, ele intensificou a atuação ao ver o aumento das prisões diárias do ICE, que passaram de mil para mais de 600 por dia desde a posse de um novo governo.
Concepcion, imigrante de segunda geração, transformou a frustração em projeto tecnológico: nasceu a DEICER, app que mapeia ações do ICE para alertar imigrantes próximos. O objetivo era organizar protestos rápidos e oferecer locais seguros aos usuários.
A evolução do projeto e o choque com a plataforma
Apropriando-se de IA e ferramentas de código aberto, Concepcion lançou DEICER para iOS em julho de 2025, buscando competir com o aparato de observação de autoridades. A start-up recebeu apoio de usuários que já somavam dezenas de milhares em poucos meses.
Em outubro seguinte, o Departamento de Justiça acionou a Apple para remover apps que colocassem agentes em risco. A Apple expôs que DEICER violava diretrizes ao fornecer informações de localização de agentes que pudessem ser usadas para dano, resultando na expulsão do app da loja.
Consequências pessoais e desdobramentos locais
Com a remoção, Concepcion enfrentou dificuldades financeiras, apagando ações de divulgação e lidando com ameaças por meio de reportagens na imprensa local. A universidade também não renovou para ele uma posição de professor titular, mantendo apenas funções administrativas.
Paralelamente, Gabriel, filho de um chef local, foi detido em Batavia, Nova York, após a intervenção de agentes do ICE, ainda com o caso de asilo pendente. Concepcion ajudou na obtenção de um advogado e na busca por habeas corpus, enfrentando semanas de incerteza até a possível libertação mediante fiança.
Novo capítulo: hacking e consequências
Em fevereiro de 2026, o sistema de DEICER foi hackeado, com mensagens de alerta falsas para usuários e acusações de que o código teria sido usado para expor agentes. O episódio gerou desinformação e virada de narratives em redes e meios de comunicação, atingindo a credibilidade de Concepcion.
Pouco tempo depois, o status de Global Entry de Concepcion foi revogado pela CBP, sem explicação. Ele passou a receber aconselhamentos de familiares para abandonar a luta pública e buscar empregos menos expostos, enquanto mantinha a determinação de seguir desenvolvendo soluções que ajudem imigrantes.
Situação atual e próximos passos
Hoje, Concepcion continua envolvido em projetos para apoiar imigrantes, como versões locais de DEICER e plataformas de observação eleitoral. Entre os trabalhos, planeja desenvolver o Vote Defender e uma versão específica para Massachusetts, com apoio de organizações de direitos de imigrantes.
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