- Julgamento na Califórnia condenou Meta e YouTube a pagar US$ 6 milhões por causarem dependência em usuários, incluindo crianças e adolescentes.
- A multa foi dividida: Meta ficará com US$ 4,2 milhões (70%), YouTube arcará com o restante.
- A decisão foi proferida em Los Angeles após sete semanas de julgamento, em 26 de março de 2026.
- É o primeiro veredito a reconhecer que redes sociais podem provocar danos por dependência, com base em documentos internos e depoimentos de ex-funcionários.
- Ação foi movida por uma jovem identificada como KGM, que alega vício desde os seis anos; existem mais de mil e quinhentos processos semelhantes nos Estados Unidos.
O tribunal de Los Angeles condenou Meta e YouTube a pagar US$ 6 milhões por terem criado produtos que incentivam dependência entre jovens. A decisão saiu após sete semanas de julgamento, nesta quinta-feira, 26 de março de 2026. A ação partiu de uma jovem que, na época, era menor de idade.
Segundo o veredito, negligência das plataformas contribuiu para danos mentais em crianças e adolescentes, incluindo distorções de autoimagem e pensamentos suicidas. O caso usou documentos internos e depoimentos de ex-funcionários para sustentar a alegação de vício.
A decisão divide a multa entre as empresas: 70% (US$ 4,2 milhões) fica com a Meta, dona de Facebook e Instagram, e o restante fica com o YouTube, controlado pela Google. Ambas as partes afirmaram respeitar a decisão, mas negaram culpa pela dependência.
Contexto do veredito
A sentença marca o primeiro julgamento a sustentar que redes sociais causam danos a jovens, com base em evidências internas. A ação foi movida pela jovem identificada como KGM, de Chicago, que afirmou ter se viciado em plataformas desde os 6 anos.
A acusação destaca que o efeito nocivo extrapola o público infantil, afetando também adultos. O caso envolve o uso de debates, estudos e relatos sobre comportamento de usuários para sustentar a dependência, conforme o veredito.
Repercussões e cenário jurídico
Analistas indicam que a decisão pode influenciar ações semelhantes nos EUA, já existentes em número elevado. A CNN aponta mais de 1.500 processos parecidos, com foco em dependência de redes sociais.
Especialista em responsabilidade civil, a professora Catherine M. Sarkey, de NYU, disse que as implicações são “muito grandes” e que é preciso repensar definições legais sobre produtos com alto acesso de informação pelas empresas.
Outros desdobramentos
Poucos dias antes, a Meta havia sido multada em US$ 375 milhões pelo estado do Novo México, sob acusação de falha na proteção de crianças contra predadores sexuais e de enganar o público sobre a segurança das plataformas.
O momento também acende o debate sobre possível legislação federal de proteção às crianças no ambiente digital, ainda sem encaminhamentos definitivos. A agenda legislativa enfrenta resistência política e questões de implementação.
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