- Milhares de indígenas de vários povos marcham pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, integrando a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026).
- A marcha, que saiu por volta das 9h30 do Eixo Cultural Ibero-Americano, segue em direção ao Congresso Nacional, principal alvo de críticas do movimento.
- Um dos focos é o Marco Temporal, tese de demarcação que limita territórios aos ocupados em outubro de mil novecentos e oitenta e oito; STF já declarou inconstitucional a tese, mas PEC de 2025 volta a restringir demarcações.
- Segundo a Funai, entre janeiro de 2023 e novembro de 2025 foram homologadas 20 novas terras, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares em onze unidades federativas; há cerca de 110 áreas reivindicadas em análise.
- As lideranças pedem reconhecimento de mais terras e maior orçamento para órgãos de proteção indígena, como Funai e Sesai; Joenia Wapichana destaca a importância de aldear a política.
Milhares de indígenas de todo o Brasil marcharam nesta terça-feira pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília, integrando a 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL 2026), que começou no domingo.
Sob sol forte, o grupo deixou o palco principal do ATL por volta das 9h30 e seguiu 6 km até o Congresso Nacional, principal alvo das críticas do movimento, que denuncia proposições que afetam direitos constitucionais dos povos originários.
Os participantes acusam parlamentares e governos de ceder a pressões do agronegócio, da mineração e de grandes empreendimentos, permitindo exploração econômica de territórios tradicionais por não indígenas.
Marco Temporal
O movimento também atua contra o Marco Temporal, tese jurídica que fixa em 1988 o marco para reivindicações territoriais. Em 2023, o STF considerou a tese inconstitucional, mas, em 2025, o Senado aprovou PEC que impõe limites temporais às demarcações.
A PEC foi devolvida aos deputados para reanalisar o texto, já que a Câmara havia aprovado uma versão anterior em 2023; não houve conclusão sobre a necessidade de ajustá-la novamente.
Os indígenas também reivindicam o reconhecimento de mais terras. Segundo a Funai, entre 2023 e 2025 foram homologadas 20 novas áreas, totalizando cerca de 2,5 milhões de hectares em 11 estados.
Ao longo do ATL, lideranças destacaram que há um passivo de demarcação elevado e violência em terras indígenas, apontando avanços recentes como um passo parcial, mantido como objetivo de longo prazo.
Dinaman Tuxá, coordenador executivo da Apib, ressaltou que a luta segue motivada pela garantia territorial e pela continuidade de ações para ampliar a proteção das áreas tradicionais.
Joenia Wapichana, ex-presidente da Funai e deputada federal, defendeu a ideia de que os povos indígenas podem atuar ativamente na política e na gestão pública, destacando a necessidade de mais orçamento para órgãos de proteção.
As lideranças destacaram ainda a demanda por fortalecimento de órgãos como a Funai e a Secretaria Especial de Saúde Indígena, para ampliar a proteção, o monitoramento e a assistência às comunidades.
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