- Centrão mantém a aposta na terceira via como estratégia para ampliar influência e barganha, após novas movimentações com a candidatura de Ronaldo Caiado e a desistência de Ratinho Jr.
- Lula lidera com 41,3% das intenções de voto, seguido por Flávio Bolsonaro com 37,8% em cenário de primeiro turno, segundo levantamento do Paraná Pesquisas publicado no dia 30 de março de 2026.
- Caiado aparece com 3,6% e Romeu Zema, 3,0%; Renan Santos soma 1,2% e Aldo Rebelo 1,1%.
- Em 23 de março, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, afirmou que o partido manteria a candidatura da terceira via.
- Especialistas dizem que a terceira via hoje funciona mais como instrumento de poder do Centrão do que como projeto eleitoral viável, visando ampliar espaço de negociação no segundo turno.
Sem força eleitoral, a terceira via é estratégia do Centrão para negociar poder. O Centrão aposta no campo da chamada terceira via para manter relevância no cenário. A iniciativa ganhou impulso com a candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência, anunciada na última semana, após a desistência de Ratinho Jr. (PSD).
A polarização domina a disputa presidencial, e as pesquisas indicam favoritismo de Lula e Flávio Bolsonaro, com leaves para propostas alternativas. A terceira via aparece como referência secundária, sem consolidação evidente de apoio. A leitura aponta para finalidade estratégica, não vitória expressiva.
Levantamento do Paraná Pesquisas, com 2.080 eleitores entre 25 e 28 de março de 2026, aponta Lula com 41,3% e Flávio Bolsonaro com 37,8% em cenário de primeiro turno. Caiado aparece com 3,6% e Romeu Zema com 3,0%. Outros pré-candidatos marcam abaixo de 2%.
Terceira via como barganha política
No dia 23 de março, Ratinho Jr. abriu mão da disputa, e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, sinalizou continuidade da via da terceira via. Em redes sociais, Kassab enfatizou a candidatura presidencial como “melhor via” diante da polarização. O Centrão busca espaço para barganhar na etapa final.
Cientistas políticos veem a terceira via menos como viabilidade eleitoral e mais como posicionamento estratégico. Sem um nome com capilaridade, o bloco utiliza candidaturas próprias no primeiro turno para ampliar poder de negociação no segundo turno, com ministérios e influência na agenda governamental.
Para Alexandre Bandeira, da UnB, o discurso da alternativa não se sustenta na prática. Ele afirma que não há aderência de uma candidatura que represente o campo “nem-nem”. O objetivo é ampliar capital político para o Centrão negociar, não vencer a polarização.
Adriano Cerqueira, do Ibmec, corrobora a leitura: a terceira via funciona como forma de fortalecer o Centrão diante de um eixo político já consolidado à direita. Sem candidato competitivo, a estratégia serve para jogar o jogo do poder adiante.
Histórico de tentativas de terceira via
Ao longo das eleições, o Centrão já testou nomes de diferentes campos para contrapor Lula e Bolsonaro. Em 2010, Marina Silva foi terceira via com 19,33% no primeiro turno. Em 2014, Marina repetiu o espaço, com 21,32%. Em 2018 houve fragmentação com Ciro Gomes, Alckmin, Meirelles e Marina Silva disputando o espaço.
Em 2022, Simone Tebet despontou como principal nome fora dos polos, recebendo 4,16% dos votos válidos. Outros candidatos, como Ciro Gomes, tiveram desempenho menor. A dificuldade passa pela ausência de base popular estável para sustentar esse espaço.
Leitura atual sobre o voto útil
Especialistas destacam que a terceira via surge de articulações de cúpula sem conexão orgânica com o eleitorado. Elton Gomes, da UFPI, afirma que a estratégia não é viável sob as condições atuais. A tática busca manter o Centrão relevante ao longo do pleito.
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