- Indígenas do Acampamento Terra Livre cobram a instalação de uma comissão para aprofundar a investigação de violências cometidas por agentes públicos contra povos indígenas entre 1946 e 1988.
- A criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade está entre as 13 recomendações da Comissão Nacional da Verdade, feitas em 2014 para reparação de graves violações de direitos humanos.
- O assessor Paulino Montejo afirma que, segundo a CNV, ao menos 8.350 parentes indígenas foram assassinados no período analisado.
- O procurador regional da República Marlon Weichert destacou que, em outubro de 2025, o Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas entregou aos governantes uma proposta de texto para criar a comissão.
- O Fórum Memória reúne organizações indígenas, Ministério Público Federal, entidades da sociedade civil e acadêmicos; a plenária sobre Memória, Verdade e Justiça ocorreu em 6 de abril durante o Acampamento Terra Livre, em Brasília.
Participantes do Acampamento Terra Livre cobram do Estado a instalação de uma comissão para aprofundar a investigação das violências cometidas por agentes públicos contra comunidades indígenas entre 1946 e 1988. A cobrança integra as recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) de 2014.
A CNV, criada em 2012, apresentou o relatório final em 2014. Entre as medidas indicadas está a criação da Comissão Nacional da Verdade Indígena para reparar graves violações de direitos humanos contra os povos originários no período.
Segundo Paulino Montejo, assessor da Articulação dos Povos Indígenas, ao menos 8.350 parentes indígenas teriam sido assassinados no intervalo investigado. A informação embasa a demanda por reparação e pela memória histórica.
A professora Elaine Moreira, da UnB, participa de projeto que continua as investigações da CNV. Ela afirma que a Justiça de Transição depende de memória, documentação e mecanismos de não repetição para ser eficaz.
Marlon Alberto Weichert, procurador da República, lembrou que o Fórum Memória, Verdade, Reparação Integral, Não Repetição e Justiça para os Povos Indígenas entregou em outubro de 2025 uma sugestão de texto para a criação da comissão.
Weichert enfatizou que a iniciativa coloca os povos indígenas no centro da construção de uma versão da verdade histórica sobre séculos de violações. Ele ressalta a importância de a sociedade conhecer a verdade contada por quem sofre as consequências.
O Fórum Memória é formado por Articulação dos Povos Indígenas, Ministério Público Federal, organizações da sociedade civil e acadêmicos. O grupo organizou, em 6 de abril, a plenária Memória, Verdade e Justiça para os Povos Indígenas, parte da programação do Acampamento Terra Livre em Brasília.
O evento ocorreu no Eixo Cultural Ibero-Americano, em Brasília, com a participação de milhares de indígenas. A programação seguiu até sábado, 11 de abril. A demanda pela criação da comissão permanece entre as principais pautas do movimento.
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