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Queda na abstenção aumenta peso do Nordeste nas eleições

Nordeste amplia participação nos votos válidos desde 2002, elevando seu peso, enquanto Sudeste e Sul registram queda; tendência nordestina pode se manter em 2026

Gráfico mosta o avanço dos votos válidos em cada região do Brasil desde 2002
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  • A participação do Nordeste nos votos válidos em segundos turnos subiu 2,5 pontos percentuais entre 2002 e 2022, enquanto Sudeste caiu 3,8 p.p. e Sul caiu 1,1 p.p.
  • O eleitorado nordestino representava 27,1% do total em 2022, pouco acima dos 26,9% de 2000; o Sudeste caiu para 41,9% em 2026, com regularização de cadastros em andamento.
  • Em 2002, o Nordeste tinha abstenção de 25,7%; em 2022 esse índice caiu para 19,3%, sendo menor que Centro-Oeste (20,6%), Sudeste (21,3%) e Norte (22,9%), e maior apenas que o Sul (18,6%).
  • Dados indicam que o Nordeste vem com avanço da escolaridade do eleitorado, com menos analfabetismo e mais alunos com ensino fundamental completo.
  • A concentração de melhoria educacional no Nordeste aparece entre os 100 municípios com maior redução de analfabetismo (todos com queda de abstenção acima de 18 p.p.), incluindo Jucuruçu, na Bahia.

A participação do Nordeste nas eleições presidenciais deste século foi o item que mais ganhou peso entre as regiões. Entre 2002 e 2022, a fatia de votos válidos da região subiu 2,5 pontos percentuais, enquanto Sudeste (-3,8 p.p.) e Sul (-1,1 p.p.) registraram queda. Norte (+1,8 p.p.) e Centro-Oeste (+0,5 p.p.) tiveram avanço menor.

A leitura dos dados aponta que o eleitor nordestino foi às urnas com mais frequência no segundo turno. Já o sentimento de voto branco ou nulo recuou na região ao longo desse período, de modo que a participação aumentou de forma mais expressiva que em outras áreas.

Eleitorado e participação

A participação do Nordeste no total de votos válidos superou o crescimento de seu eleitorado: a fatia da região passou de 26,9% em 2000 para 27,1% em 2022, um ganho de 0,2 p.p. Já o Sudeste caiu de 44% para 41,9% no mesmo intervalo.

Dados preliminares de 2026 indicam tendência de queda menor no Sudeste, com expectativa de maior peso do Nordeste. A Justiça Eleitoral ainda regulariza cadastros para a votação de outubro. Em fevereiro de 2026, o Nordeste já respondia por maior participação relativa que em 2022.

Abstenção e escolaridade

Entre 2002 e 2022, a abstenção no Nordeste caiu de 25,7% para 19,3%, ficando abaixo das abstenções registradas no Centro-Oeste, Sudeste e Norte, e apenas acima da do Sul. A região tornou-se, nesse indicador, a menos ausente entre as grandes áreas do país.

O avanço na escolaridade é apontado como parte da explicação para o comportamento eleitoral nordestino. O acesso à educação básica e a redução do analfabetismo contribuíram para um eleitorado com maior capacidade de acompanhar debates e de expressar escolhas na urna.

Educação e áreas específicas

Ao longo de 2002 a 2022, o analfabetismo na região recuou de 14% para 7,3%. A parcela de eleitores com fundamental incompleto caiu de 75,2% para 42,8%, e quem tem ensino médio completo passou a representar 36,5%.

Entre os 100 municípios com maior redução no analfabetismo, 67 ficam no Nordeste. Em Jucuruçu, na Bahia, a situação de 2002 era marcada por alto analfabetismo (32%) e ausência de ensino fundamental para a maioria dos eleitores; esse cenário mudou significativamente, com queda expressiva na abstenção na última eleição.

Perspectivas para 2026

Especialistas apontam que o Nordeste tende a manter peso relevante no eleitorado, com ênfase em áreas de maior escolarização. Contudo, a participação pode oscilar conforme a conjuntura nacional e políticas públicas, sem prever conclusões fixas sobre o comportamento regional.

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