- A CPI do Crime Organizado rejeitou o relatório de Alessandro Vieira, com seis votos contra e quatro a favor, encerrando os trabalhos sem documento final.
- O presidente da CPI, Fabiano Contarato, criticou a não prorrogação dos trabalhos pelo Senado e afirmou que houve dificuldade de oitiva de depoentes pelo STF.
- Foi defendido manter ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, bem como o procurador-geral da República Paulo Gonet, sem indiciamento no relatório.
- Houve troca de integrantes do colegiado: Teresa Leitão e Beto Faro substituíram Sergio Moro e Marcos do Val, a pedido do líder do bloco MDB-PSDB-Podemos-União Brasil.
- O relatório aponta 90 organizações criminosas, com 26% do território nacional sob controle de criminosos e 28,5 milhões de brasileiros vivendo em áreas influenceadas, destacando operações como a Carbono Oculto, com mais de R$ 4 bilhões apreendidos.
A CPI do Crime Organizado rejeitou o relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE). O parecer, que entre outros pontos pedia o indiciamento de três ministros do STF, teve 6 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando os trabalhos sem um documento final. A votação ocorreu após críticas à condução dos trabalhos e a atraso na prorrogação da comissão.
O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), afirmou que a falta de prorrogação prejudicou o andamento das oidas e a coleta de provas. Ele também criticou o STF por impedir depoimentos, o que, segundo ele, dificultou a obtenção de informações. Contarato defendeu a importância da instituição para a democracia e votou contra o indiciamento dos ministros citados.
Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo no Senado, também rejeitou o relatório. Ele destacou que uma CPI não deve ser palco de disputa política e citou casos de indiciamento que não ocorreram, afirmando que não haveria base para punir instituições sem fundamentos claros. Wagner votou contra as sugestões de indiciamento contidas no parecer.
Troca de integrantes
Antes da votação, houve a substituição de dois integrantes do colegiado. Teresa Leitão (PT-PE) e Beto Faro (PT-PA) substituíram Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES), a pedido do líder do bloco MDB-PSDB-Podemos-União Brasil, Eduardo Braga (MDB-AM). O relator atribuiu a alteração a uma decisão política do grupo.
Vieira manteve o tom crítico ao governo pela mudança. Disse que a derrota na votação não encerra a agenda, apesar da retirada de indiciamentos, e sugeriu que a pauta pode avançar no futuro com apoio institucional. O senador ressaltou que a autocrítica de órgãos como o STF pode ocorrer, segundo ele, a partir de novas análises de procedimentos.
Desdobramentos da investigação
A CPI investigou o modus operandi de facções e milícias em diferentes regiões, incluindo ocupação territorial e crimes econômicos como lavagem de dinheiro. O relatório descreve 90 organizações criminosas mapeadas, com atuação em 24 estados e no Distrito Federal, incluindo o Comando Vermelho, Terceiro Comando Puro e Primeiro Comando da Capital.
Segundo Vieira, as facções atuariam como para-Estados, impondo regras de convivência e cobrando tributos ilegais. O documento aponta que cerca de 26% do território nacional estaria sob algum controle do crime organizado e que 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas impactadas.
Experiências de enfrentamento
O relatório também destaca iniciativas positivas, como as Forças Integradas de Combate ao Crime Organizado, presentes em todas as unidades federativas. A evasão financeira foi citada como uma linha de atuação eficaz, com mais de R$ 4 bilhões apreendidos na operação Carbono Oculto. A cooperação internacional, com adidâncias policiais em 34 países, resultou na prisão de 842 foragidos entre 2021 e 2025.
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