- Um ano após o início das remoções, 36 famílias seguem morando nas ruínas da Favela do Moinho, no centro de São Paulo.
- O acordo entre União e estado prevê subsídio de R$ 250 mil por família para comprar imóveis e auxílio-moradia durante o reassentamento, mirando cerca de 850 famílias.
- O destino inclui a doação de área central para parque e nova estação ferroviária; a transferência da área pela União é necessária para avançar o plano.
- A disputa entre governos envolve responsabilidade de cadastro e atendimento: CDHU e Caixa Econômica Federal; até o momento, 540 contratos são da CDHU e 310 da Caixa.
- Entre as 36 famílias, 28 recusam o aluguel de R$ 1.200, aguardando carta de crédito; há atrasos atribuídos a dificuldades de comunicação entre CDHU e Caixa.
Em meio às ruínas da Favela do Moinho, 36 famílias ainda vivem no local, um ano após o início das remoções. O governo federal e o governo de São Paulo firmaram um acordo para reassentar moradores com moradia subsidiada e para desapropriar a área central da capital para parque e estação de trem. As remoções, iniciadas sob promessa de habitação, seguem sem pleno cumprimento.
O acerto prevê subsídio de R$ 250 mil por família para compra de imóveis e auxílio-moradia durante a espera de unidades em construção ou regularização de documentação. No entanto, pessoas que permanecem na área relatam dificuldades com cadastros e pendências com o correspondente da Caixa Econômica Federal.
Setenta por cento das famílias ainda não concluíram o cadastro simples ou não receberam a carta de crédito. Onze moradores aguardam respostas, enquanto oito têm mudanças agendadas. Vinte e oito recusam o aluguel de R$ 1.200 oferecido pelo governo.
Disputa entre governos e andamento do reassentamento
A gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos) classifica a área como entrave ao plano de requalificação central, citando a favela como entreposto de drogas. O governo federal, por sua vez, exige reassentamento sem uso de força policial, condição defendida pela presidência de Lula (PT).
A transferência da área, atualmente federal, depende da cessão do terreno. Somente com a assinatura da União os termos finais do acordo poderão avançar. Enquanto isso, as famílias aguardam a resolução das pendências, sem que haja data definida para o deslocamento.
Dados apresentados pela CDHU indicam que 540 contratos de atendimento habitacional já foram fechados, com 310 geridos pela Caixa. A instituição federal afirma ter entrado em contato com as famílias, mas quatro ainda não procuraram atendimento.
A Caixa afirma que a comunicação ocorreu por telefone e mensagens SMS. A CDHU contesta a participação de funcionários da Caixa em mutirões. O Saju-USP destaca que falhas de comunicação entre as partes prejudicam os moradores.
Familiares relatam ainda dificuldade de compreensão dos trâmites, com moradores analfabetos recebendo auxílio irregular. Um morador entrega pilhas de documentos para comprovar cadastro, sem que haja solução rápida para a candidatura ao programa.
Entre na conversa da comunidade