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TCU nega suspensão do leilão de reserva de capacidade de energia

TCU não suspende leilão de reserva de capacidade de energia, mas abre inspeção para apurar irregularidades envolvendo geradores de papel

Fachada Tribunal de Contas da União - TCU
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  • O Tribunal de Contas da União não suspendeu o Leilão de Reserva de Capacidade de 2026, após sessão nesta quarta-feira (15).
  • O TCU abriu uma frente de investigação sobre irregularidades no certame, incluindo atuação de empresas classificadas como “geradoras de papel” que vencem disputas sem capacidade real de executar os projetos.
  • O relator, ministro Jorge Oliveira, indeferiu a suspensão, mas autorizou a AudElétrica a realizar inspeções nos agentes envolvidos.
  • O leilão promovido pelo Ministério de Minas e Energia em março contratou 18,97 gigawatts de potência e deve movimentar cerca de R$ 64,5 bilhões; os consumidores devem pagar aproximadamente R$ 515,7 bilhões em receitas aos geradores.
  • O ministro Bruno Dantas destacou que a contratação é necessária para evitar riscos ao sistema elétrico, e a discussão sobre geradores de papel envolve casos como Evolution Power Partners.

O TCU decidiu não suspender o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) de 2026, ocorrido após sessão nesta quarta-feira, 15. A corte abriu uma linha de investigação sobre possíveis irregularidades no certame, incluindo a atuação de empresas chamadas de “geradoras de papel” que vencem disputas sem capacidade de execução. A decisão ocorreu no plenário, após análise de representação do Ministério Público junto ao TCU (MPTCU).

Segundo o relator, ministro Jorge Oliveira, não houve pedido de suspensão aceito naquele momento, mas foi autorizada a AudElétrica, unidade de Auditoria Especializada em Energia Elétrica e Nuclear, a realizar inspeções nos agentes envolvidos para coleta de informações. A decisão manteve o andamento do leilão, sob acompanhamento técnico.

O LRCap, promovido pelo Ministério de Minas e Energia em março, contratou 18,97 GW de potência e tem impacto financeiro estimado de cerca de R$ 64,5 bilhões, com receitas aos geradores estimadas em aproximadamente R$ 515,7 bilhões ao longo dos contratos. O MPTCU questiona aspectos como aumento do teto de preço em até 80% em 72 horas e a justificativa técnica.

O caso aponta para riscos operacionais caso a paralisação do leilão seja adotada, segundo o relator. A homologação dos resultados está prevista para 21 de maio, prazo que, na visão da Corte, permite aprofundar a análise sem comprometer o atendimento energético.

Bruno Dantas, ministro que acompanhou o voto, ressaltou a importância da contratação para evitar riscos de desabastecimento. O tema envolve ainda a competitividade e a modicidade tarifária, com foco nas práticas de alguns participantes.

Geradores de papel sob escrutínio

A discussão destacou a atuação de empresas sem histórico de execução, que vencem leilões com a estratégia de revender projetos. A referência recai sobre o conceito de geradoras de papel, que obtêm ágio ao vender o projeto, gerando custos adicionais aos consumidores.

O caso é associado a episódios anteriores, como a participação da Evolution Power Partners em leilões de 2021, sem entrega das usinas dentro do prazo. A avaliação do TCU é de que esse tipo de prática pode distorcer a competição, influenciar preços e transferir riscos ao sistema elétrico e aos usuários.

A AudElétrica foi autorizada a inspecionar os envolvidos para coleta de informações, com o objetivo de acompanhar o andamento do leilão e esclarecer dúvidas sobre conformidade regulatória. As apurações devem ocorrer sem interromper o processo de homologação.

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