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Brasil registra uma morte no campo a cada 10 dias desde massacre de Carajás

Brasil registra média de uma morte no campo a cada dez dias desde Carajás; 1.149 vítimas entre 1996 e 2025, com impunidade persistente

Cruz em memória dos 19 mortos no massacre de 17 de abril de 1996, na curva do S em Eldorado do Carajás (PA)
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  • Desde 1996, o Brasil registra média de uma morte no campo a cada dez dias, totalizando 1.149 assassinatos em conflitos por terra até 2025.
  • Em 2024, o país teve 2.185 conflitos no campo, a segunda maior marca desde 1985.
  • O massacre de Eldorado do Carajás, em 17 de abril de 1996, ficou marcado pela morte de 19 trabalhadores rurais e 60 feridos; apenas dois oficiais envolvidos foram condenados.
  • Nos últimos anos, a violência no campo se reconfigurou, com ataques a indígenas, quilombolas e outras comunidades tradicionais ganhando espaço nas estatísticas.
  • O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra segue ativo, com marchas e ações ligadas à reforma agrária e à disputa pela posse de terras.

O Brasil soma uma morte no campo a cada 10 dias desde o massacre de Eldorado do Carajás, em 17 de abril de 1996. O episódio ocorreu na Curva do S, no Pará, quando 19 trabalhadores rurais foram assassinados por policiais.

Desde então, o país registra uma trajetória de violência no campo, com números que ajudam a entender o cenário atual. A CPT aponta que, entre 1996 e 2025, 1.149 pessoas foram mortas em conflitos por terra.

O massacre de Carajás ajudou a medir o impacto da disputa pela terra no Brasil, que ganhou em visibilidade internacional e impulsionou ações de reforma agrária. Ainda assim, a violência não cessou.

O levantamento atual indica que o país teve mais de 2.000 conflitos no campo desde 1996, com 2.185 casos registrados em 2024, a segunda maior marca desde 1985. O Pará aparece entre as regiões mais atingidas.

No passado, boa parte das vítimas pertencia à MST e a movimentos sociais por reforma agrária. Hoje, a violência envolve também indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, ampliando o espectro de vítimas.

Mudanças no perfil dos conflitos

A reconfiguração da violência no campo aparece acompanhada de mudanças no cenário institucional e político. O período recente traz debates sobre reforma agrária, regularização de terras e ocupações, com resistência de setores rurais.

Em 2017, ocorreram massacres em Pau D’Arco (PA) e Colniza (MT), que somaram dezenas de mortes. A impunidade e a falta de julgamentos são apontadas como marcas persistentes nesses casos.

A bancada ruralista e propostas restritivas contribuíram para o cenário de atuação contra ocupações. Mesmo com avanços legais, a prática de violência continua presente em várias regiões do país.

No sudeste do Pará, houve ocupações de fazendas e uma rede complexa de disputas, envolvendo grandes proprietários, movimentos sociais e autoridades locais. A imprensa registra a dimensão contínua do conflito.

Entre trabalhadores, comunidades indígenas e movimentos, persiste a sensação de que o direito à terra permanece desafiado. A CPT aponta para uma violência que se adapta, mantendo o tema da impunidade como fator recorrente.

A atual mobilização do MST envolve nova marcha pela BR-150, com trajeto Curionópolis até Eldorado do Carajás. A expectativa é chegada prevista para esta sexta-feira, 17. A ação ocorre em meio a 145 mil famílias acampadas no Brasil, com 30 mil apenas no Pará.

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