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É falso que 811 mil chineses possam votar nas eleições do Brasil

Verificação aponta que apenas 274 chineses se naturalizaram desde 2023; votar é prerrogativa de brasileiros natos ou naturalizados, sem acordo que inclua estrangeiros

Quantidade de chineses que entraram no Brasil de 2023 até hoje é quatro vezes menor do que a alegada por autor de vídeo que viralizou no Facebook
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  • É falso que 811 mil chineses estariam aptos a votar nas eleições brasileiras; apenas indivíduos naturalizados podem votar, e desde 2023 isso ocorreu com 274 chineses.
  • Dados oficiais indicam que, de 2023 até fevereiro de 2026, entraram no Brasil 203,6 mil cidadãos chineses, na maioria turistas (aproximadamente 93% com visto de turismo) e permanência máxima de até noventa dias.
  • A Constituição proíbe o voto de estrangeiros; o acesso ao título de eleitor é concedido apenas mediante solicitação do próprio naturalizado, e o Tribunal Superior Eleitoral não informou a quantidade de chineses naturalizados aptos a votar neste ano.
  • Não existe tratado entre Brasil e China para permitir que chineses recebam documentos nacionais ou votem; não houve confirmação de acordo nesse sentido. Uma medida recente criou isenção de vistos de curta duração para chineses, mas ainda não consta na lista de tratados em vigor.
  • Chineses respondem por cerca de nove mil e quatrocentos hectares de terras no Brasil (0,0011% do território); não há evidência de desapropriações para favorecer estrangeiros em detrimento de moradores locais.

O conteúdo afirma, de forma falsa, que 811 mil chineses estariam aptos a votar nas eleições brasileiras deste ano e receberiam doações de terras para morar. Revisão de dados oficiais mostra que apenas 274 chineses se naturalizaram brasileiras desde 2023, o que não confere direito ao voto automático. Além disso, a imensa maioria de chineses que entram no Brasil é composta por turistas. O vídeo que viralizou não traz dados verificáveis e foi alvo de checagem pelo Estadão Verifica.

Segundo dados oficiais, a circulação de cidadãos chineses no Brasil entre 2023 e fevereiro de 2026 foi de 203,6 mil pessoas, com cerca de 93% nessa soma na condição de turistas. A Constituição Federal proíbe o voto de estrangeiros; apenas brasileiros naturalizados têm esse direito, e o processo de obtenção do título de eleitor depende de solicitação individual do naturalizado.

Fatos sobre votação e naturalização

O Tribunal Superior Eleitoral afirmou, por meio de nota, que apenas cidadãos natos ou naturalizados podem votar. A Secretaria Nacional de Justiça informou o número de chineses naturalizados desde 2023, que foi de 274 pessoas. Não há registro em bancos de dados da Justiça Eleitoral que apresente a quantidade de eleitores naturalizados por origem.

A reportagem aponta ainda que a ideia de uma adesão automática de chineses ao eleitorado brasileiro não condiz com a legislação. O acesso a documentos de identificação, como título de eleitor, não é automático para quem se naturaliza, e o processo depende de requerimento individual.

Terra e imigração

Não há evidência de um acordo que permita aos chineses votar ou receber títulos eleitorais por meio de tratados entre Brasil e China. O governo, em janeiro, anunciou apenas uma isenção de vistos de curta duração para algumas categorias de cidadãos chineses, sem incluir direitos eleitorais automáticos. Dados oficiais indicam ainda que, entre 2023 e fevereiro de 2026, chineses com residência ativa somaram cerca de 64,7 mil em fevereiro, sendo a maior parte com visto de turismo.

Propriedade de terras e situações locais

Não há registro de políticas que prevejam a venda ou doação de terras a estrangeiros para moradia com o objetivo de alterar o eleitorado. Em casos de uso irregular de terras, a atuação do Ibama e de outras autoridades segue procedimentos de desintrusão ou reforma agrária, não transferência de propriedades a estrangeiros. Especialistas citados destacam que regras de compra e uso de solo por estrangeiros existem, e que a participação de chineses na posse de terras rurais no Brasil é extremamente baixa: cerca de 9.400 hectares, equivalentes a 0,0011% do território nacional.

Contexto do conteúdo viral

O vídeo que motivou a checagem circula desde 12 de abril e já acumula milhares de visualizações. Não houve confirmação de veracidade das afirmações sobre privilégios a chineses ou sobre supostos acordos que alterariam direitos eleitorais. O Verifica consultou o Incra, o consulado chinês em São Paulo e o Itamaraty, mas não obteve retorno até a publicação.

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